Memórias do Leste: 50 anos de história e transformação
Toni Roberto compartilha lembranças do primeiro viagem para conhecer o Leste paraguaio e a aventura da terra vermelha
Este domingo, Toni Roberto compartilha as lembranças de seu primeiro viagem para conhecer o Leste, uma nova rota e a aventura da terra vermelha transformada em poeira tingindo de vermelho o verde daqueles interminável ipês, ygurayús ou coqueiros que apontavam para o céu.
Uma vaga lembrança da infância lá por 1977 marca o início dessa travessia. O caminho para o Alto Paraná, a chegada à cidade e a poeira vermelha que parecia uma neblina em technicolor, a imensa arborização dos novos chalés da Área 1 e as casas dos engenheiros de Itaipu conformavam a paisagem daquela época. Em uma delas residia o irmão de sua mãe, o engenheiro agrônomo Juan Federico Godoy Figueredo, que já havia estado no local pela primeira vez em 1962. À frente se estendia uma enorme reserva ecológica e do outro lado se entrevigia a casa do engenheiro Enzo Debernardi em meio à imensa folhagem.
Agripina Gianotti na memória de Godoy Figueredo
A memória do Eng. Godoy Figueredo o leva através dos meandros da geografia do Paraná e aos primeiros pobladores, em especial a uma mulher pioneira, dona Juana Agripina Gianotti, que havia nascido em Encarnación em 1900. Com coragem se atreveu a navegar rio acima naquela enorme selva de outros tempos, contracorrente em todo seu andar até a instalação de seu negócio. O velho hotel Mi Abuela se converteu em abrigo e refúgio de muitos recém-chegados em meados da década de 70 do século passado.
Porfirio Pereira Ruiz Díaz
Na conversa, Godoy Figueredo relata como viveu sua primeira viagem em 1962. Recorda as muitas barracas à beira do caudaloso rio e também aos militares, que contornando todos os obstáculos foram os primeiros em abrir caminho. Fala com emoção do então capitão Porfirio Pereira Ruiz Díaz, um dos homens mais íntegros de sua época, que foi posteriormente intendente de Assunção.
Do Alto Paraná a Brasília
De maneira interessante, surge uma comparação com a capital brasileira. O Eng. Godoy realiza uma análise entre a capital do Alto Paraná e Brasília, que nasciam quase ao mesmo tempo, com um enorme contraste entre ambas. Uma absolutamente desenhada segundo planos urbanísticos e a outra entre barracas e casitas de madeira, mas com o cenário do caudaloso Paraná como pano de fundo.
Cidadão oriental frente à ponte da Amizade. C. 1970. Fonte: Centro de Pioneiros Imigrantes do Alto Paraná
Guillermina Núñez de Báez
Entre as imagens históricas e referências documentais, destaca-se a figura de Guillermina Núñez de Báez, que foi criadora da Academia de História do Alto Paraná junto a Godoy Figueredo e outros imigrantes no Leste. Esses personagens mantiveram viva a memória daquele lugar, que se transformou em um importante cadinho cultural, emulando de alguma maneira o departamento de Itapúa.
Uma épica fotografia de um cidadão oriental que posa com gravata frente à ponte da Amizade testemunha a riqueza histórica daquela época.
Memória geográfica e política
As análises geográficas e políticas deste memorioso do lugar, que escolheu viver ali para sempre, nos levam também muito para trás no tempo, quando já se olhava para o quase impenetrável leste do Paraguai. A região foi objeto de diversas estratégias políticas, incluindo antigos projetos de conectividade mediante ferrovias que não prosperaram em seu momento, mas que finalmente se concretizaram nos anos 60 com a estratégia da política pendular de nosso país com os dois gigantes da região. Nestes processos também teve importante participação o trabalho diplomático de personalidades como o Dr. Raúl Sapena Pastor e o Dr. Alberto Nogués.
Assim, através dessas lembranças compartilhadas, se reconstitui a história de uma região que em apenas cincuenta anos transformou-se de forma extraordinária.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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