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Paraguai

Matizes migratórios

25/08/2026 10:45 4 min lectura 25 visualizações

As ondas de europeus que chegaram à América do Sul no final do século XIX em busca de melhores horizontes encontraram em países como Argentina o terreno fértil para suas aspirações.

Italianos, espanhóis e judeus se estabeleceram na pampa úmida e traçaram um destino misto com os naturais para desenhar certa identidade que perdura até o presente. Novas incursões massivas ocorreram nos anos trinta e quarenta pelo conflito mundial que obrigou a emigrar de uma Europa devastada, e depois a perseguição de russos brancos por parte do regime stalinista na URSS.

Os migrantes buscavam bem-estar, tinham certos conhecimentos em várias disciplinas e chegavam aos novos assentamentos com formação mediana e visão de progresso, inclusive lideravam empreendimentos que contribuíssem para o desenvolvimento dos países acolhedores.

Os deslocamentos acompanhavam de alguma forma o crescimento populacional de espaços ainda não explorados, oportunidades quase únicas para transformar o entorno e contribuir para a conformação de uma sociedade diversa.

O caráter dos deslocamentos humanos foi variando no final da centúria passada e na presente. A moeda se inverteu e já foram oriundos de países antes receptores os que buscavam melhores condições de vida em uma Europa que alcançou o desenvolvimento. Agregaram-se a aqueles os expulsos de suas próprias nações, situadas majoritariamente no norte africano ou no Oriente Médio.

Milhares de famílias haviam perdido quase tudo em guerras internas, massacres em massa e instabilidade política em países geralmente governados por regimes muçulmanos. Moldaram triste e ingenuamente a maior pantela atroz da degradação humana pós-moderna, ao ser testemunha o mundo de ondas de migrantes em embarcações precárias que atravessavam o Mediterrâneo para chegar à Europa. Muitos deles pereceram (e ainda o fazem) na tentativa.

Quem alcançou as novas terras não recebeu acolhimento caloroso por parte dos que fomentam a radicalização, o racismo e a xenofobia. São responsabilizados de serem o sinal principal da deterioração em um continente transformado e polarizado.

O estrangeiro chega geralmente de mãos vazias, mas é culpado de quase todos os males, segundo diz o europeu que discrimina.

O espelho de tal circunstância é observado nos EUA, com políticas antiimigração que expulsam os latinos indocumentados e aspiram a uma limpeza étnica indiscriminada: mão dura para quem não são arianos, para os marginalizados do sistema.

Um exemplo –e com matizes de geopolítica pura– ocorreu há quase um mês em território espanhol de Ceuta (Norte da África), quando mais de 50 mil marroquinos chegaram em poucos dias a pé ou nadando até suas costas, interpretado por muitos como uma campanha do mesmo governo marroquino, que historicamente reclama esse território. O impacto dessa onda intensa de pessoas foi significativo a nível mediático.

No Paraguai vem ocorrendo com maior ênfase a chegada de europeus e de nossa mesma região cansados da pressão fiscal e do contexto em que vivem, graças à imagem para exportação que projeta o país (estabilidade macro, vantagens fiscais, energia barata, bônus demográfico). Investidores e pessoas comuns anseiam se radicar e somaram em 2025 mais de 47 mil solicitações ingressadas, o que representa um incremento superior a 63%. Brasil encabeça o ranking, com 23.526 residentes, seguidos por Argentina, Alemanha, Bolívia e Espanha.

O impacto da migração depende de qual política aplica o país receptor e como se insere o forasteiro na sociedade. A chegada de estrangeiros sempre recebeu calor no Paraguai e se perfila um interesse sustentado de se radicar em terras guaranis. Será fundamental aproveitar a conjuntura para acolher foreignices e destacar investimentos que ajudem a transformar o espaço em que se habita.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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