Lula promove energia limpa, mas faz o contrário
Presidente brasileiro anuncia retomada de perfurações na principal reserva terrestre de hidrocarbonetos da Amazônia
O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, que promove o abandono dos combustíveis fóseis para combater as mudanças climáticas, anunciou nesta quarta-feira a retomada após quase uma década de perfurações na principal reserva terrestre de hidrocarbonetos do Brasil, na Amazônia.
O mandatário de esquerda sustenta que o mundo deve abandonar progressivamente os combustíveis fóseis para combater as mudanças climáticas, mas argumenta que o Brasil necessita dos recursos dos hidrocarbonetos para financiar a transição.
O Brasil se posicionou como o nono produtor mundial de petróleo bruto no ano passado.
O mandatário foi anfitrião em novembro da conferência climática COP30 da ONU, na cidade amazônica de Belém, na qual chamou os líderes mundiais a apresentarem "roteiros" para a saída dos combustíveis fóseis.
Mas seu próprio Governo não cumpriu o compromisso de entregá-lo em fevereiro e não o fez até agora.
"Nos gusta Brasil, nos gusta Petrobras, queremos viver bem, trabalhar bem, estudar bem, e só teremos isso se a economia crescer", disse nesta quarta-feira Lula, de 80 anos, durante um ato no estado do Amazonas (norte).
INVESTIMENTOS. A Petrobras anunciou aproximadamente 2.500 milhões de reais (cerca de 500 milhões de dólares) em investimentos para perfurar 22 novos poços no campo de Urucu. Trata-se da maior reserva terrestre de petróleo e gás do Brasil, que extrai cerca de 95% de sua produção de reservas offshore. A estatal leva quase dez anos sem abrir novos poços em Urucu, no coração da maior floresta tropical do planeta.
A produção de gás neste campo, que em 2025 representou quase 8% do total nacional, é fundamental para o abastecimento energético do norte brasileiro, a região mais pobre do país.
ONGÉS. A rede de ONGs Observatório do Clima avaliou como essencial evitar que as novas perfurações provoquem "degradação" ambiental da Amazônia. "O ideal seria que a Amazônia fosse declarada uma zona livre de exploração de combustíveis fóseis, tanto de petróleo quanto de gás", afirmou Suely Araujo, do Observatório.
Lula também promove um megaprojeto de exploração petrolera na Margem Equatorial, uma área marítima próxima às costas da Amazônia. Lula deve buscar em outubro sua reeleição para um quarto mandato não consecutivo, em eleições que o enfrentarão com o pré-candidato da direita, o senador Flávio Bolsonaro.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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