Hidrovia: Será instalada uma mesa de trabalho e será pedida tarifa diferenciada
O presidente do Centro de Importadores do Paraguai (CIP), Iván Dumot, informou que o Governo paraguaio e representantes do setor privado se reunirão em uma mesa de trabalho com autoridades argentinas para conhecer os pormenores da concessão do pedágio da hidrovia Paraguai-Paraná.
A concessão foi adjudicada por 25 anos ao consórcio integrado pela empresa belga Jan De Nul e a argentina Servimagnus. Segundo Dumot, ainda não estão definidas as condições específicas que serão aplicadas ao Paraguai.
"A situação concreta é que o Governo argentino outorgou a concessão de pedágio para a manutenção da hidrovia à empresa Jan De Nul e as condições ainda não estão definidas para o Paraguai", explicou Dumot ao jornal Última Hora.
Na mesa de trabalho espera-se receber informações detalhadas sobre os trabalhos que incluirá a concessão, os serviços que serão prestados e as tarifas que serão aplicadas.
"Somente ali teremos um impacto concreto em função de quais serviços são prestados e quais custos serão cobrados", assinalou o presidente.
Preocupação com o impacto na frota paraguaia
O setor privado paraguaio manifesta preocupação porque o novo esquema tarifário poderia agravar uma situação que já consideram desvantajosa. Dumot indicou que a tarifa que cobrava a Argentina anteriormente já era superior ao serviço prestado.
Além disso, os trabalhos de dragagem de maior profundidade previstos beneficiariam principalmente a navios de longo curso, enquanto a frota paraguaia obteria um benefício limitado.
"A posição paraguaia será provavelmente continuar defendendo custos diferenciados para a frota paraguaia que não se vê beneficiada por estes trabalhos adicionais", afirmou o titular do CIP.
O presidente esclareceu que ainda é prematuro falar de aumentos concretos ou prejuízos específicos, já que tudo dependerá do resultado da mesa de trabalho.
"Ainda que haja preocupação, não sabemos exatamente quais são as condições que sairão finalmente", indicou.
Os números do novo esquema tarifário
Segundo dados da licitação, a tarifa atual que pagam as embarcações paraguaias no tramo confluência-Santa Fe é de USD 1,30 por tonelada de registro neto. As propostas validadas estabelecem uma tarifa inicial de USD 3,80 por tonelada, o que representa um aumento de 192%.
Além disso, reportes da plataforma globalports.com.ar indicam que o contrato contempla aumentos escalonados que poderiam levar a tarifa até USD 5,78 por tonelada em etapas posteriores da concessão de 25 anos. Isso implicaria um aumento adicional de 44% em relação à oferta inicial, juntamente com obras para permitir o passe de navios de maior porte.
O Paraguai conta com a terceira frota fluvial mais grande do mundo e mais de 3.000 barcaças ativas. O país depende em mais de 8% do transporte fluvial para seu comércio exterior.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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