Lita Pérez Cáceres: Uma vida dedicada à literatura
Para Lita Pérez Cáceres, a literatura não foi uma escolha tardia, mas uma vocação nascida na infância. Aprendeu a ler aos cinco anos e, desde então, os livros se converteram em uma porta para outros mundos. Recorda que seu pai, um leitor apaixonado, marcou esse caminho ao presenteá-la com seus primeiros contos e depois obras de autores como Monteiro Lobato, despertando uma curiosidade que nunca se apagou. "Era como viajar de graça", resume ao recordar a descoberta da leitura.
Aquelas experiências foram moldando uma sensibilidade que terminaria definindo toda sua carreira. Com o tempo compreendeu que a literatura era muito mais que entretenimento: passou de ser um refúgio pessoal a se converter em uma ferramenta para entender a realidade.
Reconhece que quando jovem lia com ansiedade os romances clássicos e até omitia os extensos passos filosóficos de Fiódor Dostoievski para se concentrar na ação. Anos depois retornou àquelas páginas e descobriu o verdadeiro alcance daquelas reflexões.
A autora destaca a enorme influência dos escritores russos e franceses, assim como da narrativa espanhola. Stendhal, Guy de Maupassant, Benito Pérez Galdós e outros clássicos alimentaram uma formação literária que, assegura, tornou inevitável seu destino como escritora. "Não teria podido ser outra coisa", afirma.
A MULHER, O REALISMO E O COMPROMISSO SOCIAL
Se há um fio condutor em toda a obra de Pérez Cáceres é a figura feminina. Suas protagonistas podem ser mulheres humildes, intelectuais, vítimas de violência ou personagens complexas, mas todas nascem de uma convicção profunda: ainda existem dívidas históricas com as mulheres.
"Meu tema recorrente é a mulher em todas as suas facetas", sustenta Pérez, quem considera que a literatura tem a capacidade de visibilizar situações de abuso e injustiça. A seu critério, ainda persistem inúmeros casos de violência e discriminação que exigem ser contados desde a ficção.
Esse compromisso também foi transformando sua própria escrita, ainda que em seus primeiros relatos predominassem cenários portenhos, fruto dos anos de formação vividos em Buenos Aires. Com o tempo incorporou a realidade paraguaia, convencida de que a literatura deveria denunciar as desigualdades e defender os setores mais vulneráveis. Define-se como uma autora realista e reconhece que suas próprias vivências constituem a base de grande parte de sua produção literária.
ESCREVER A PARTIR DA PAIXÃO
Pérez Cáceres confessa que nunca foi uma escritora metódica. As histórias aparecem lentamente em sua imaginação até que encontram a forma definitiva. Os contos, explica, chegam como "um convidado inesperado", enquanto que os romances requerem um processo mais pausado.
Muitas vezes as ideias surgem durante a noite e prefere memorizá-las antes de se levantar para escrever.
Longe de se mostrar preocupada com o avanço tecnológico, considera que a inteligência artificial pode se converter em uma ferramenta útil para autores sem experiência, mas descarta que possa substituir a criatividade genuína. "Nunca poderão substituir aos verdadeiros criadores", sentencia.
Também observa com otimismo as novas gerações de escritores paraguaios, a quem admira por sua coragem para publicar e expor suas ideias desde idades precoces. Acredita que os jovens deixaram para trás o antigo complexo de inferioridade que questionava a possibilidade de construir uma literatura sólida a partir do Paraguai.
Depois de uma vida dedicada às letras, Lita Pérez Cáceres segue definindo a escrita com uma única palavra: Paixão. Uma paixão que nasceu com suas primeiras leituras, cresceu entre os clássicos universais e encontrou na realidade paraguaia e na voz das mulheres o território onde construir uma das trajetórias mais reconhecidas da literatura nacional.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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