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Paraguai

Líder indígena aponta à Defensoria do Povo e sugere agir antes de "danos irreversíveis"

Durante audiência de candidatos na Comissão de Assuntos Constitucionais do Senado, jovem líder da comunidade Guaná defende proteção urgente dos direitos e territórios ancestrais

17/09/2026 19:45 3 min lectura 137 visualizações

Durante a audiência dos postulantes para a Defensoria do Povo e Adjunto, realizada pela Comissão de Assuntos Constitucionais do Senado, vários foram os expositores. Entre eles destacou-se o líder juvenil indígena da comunidade Guaná Eusebio Villanueva Domínguez, que expressou que a instituição, à qual se postula, deve resguardar o direito das comunidades indígenas e suas propriedades ancestrais.

Antes de sua exposição houve um breve número artístico de membros de sua comunidade e posteriormente o candidato apresentou as principais ações que buscará empreender em caso de chegar a qualquer um dos dois cargos.

"Quero uma Defensoria que chegue antes de que o dano seja irreversível", sustentou.

O postulante apontou que devem ser controladas mais as denúncias que provêm do setor indígena, muitas delas graves e que guardam relação com atropelos a sua propriedade ancestral.

"Há que verificar legalidade e garantir a proteção de territórios ancestrais", afirmou.

Recordou que, pelo fato de as comunidades nativas serem deixadas à sua sorte, o Estado já enfrentou demandas internacionais.

Citou as demandas que o Paraguai sofreu no passado por casos de vulneração das terras dos nativos, entre elas Sawhoyamaxa do Povo Enxet e Xákmok Kásek do Povo Sanapaná e Yakye Axa do Povo Enxet, todas levadas perante a Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH).

Ressaltou a necessidade de que o Estado atue com as ferramentas que a lei lhe outorga e desista de despejos que vulneram as propriedades ancestrais dos indígenas, com o agravante de que em muitos casos estes procedimentos são realizados com violência.

Neste sentido, assegurou que se posicionará enfaticamente a favor dos povos nativos que sofrem esses excessos.

"Minha posição será simples: nenhum despejo deve ser executado como se se tratasse apenas de mover pessoas de um lugar. Quando se afeta uma comunidade indígena se afeta também seu território, sua cultura e sua forma de vida. Portanto, a Defensoria deve estar presente para prevenir abusos e exigir soluções legais antes de que o conflito culmine em violência", referiu.

Afirmou que a Defensoria dispõe apenas de uma pequena unidade e que deve reforçar seu papel na proteção dos setores cujos direitos são vulnerados.

O presidente da Comissão de Assuntos Constitucionais, senador Javier Zacarías Irún, ao término da reunião expressou sua satisfação com a qualidade dos postulantes e ofereceu um resumo a respeito.

"Realmente, o que podemos dizer é que há exposições brilhantes nessas audiências públicas que venimos desenvolvendo duas por semana, nas segundas e quintas-feiras. Exposições brilhantes, ideias, visão do que deve ser a Defensoria do Povo e também ideias que devemos ir incorporando inclusive na Carta Orgânica da Defensoria do Povo", sustentou.

Apontou que até o momento expuseram 67 interessados na Defensoria do Povo e Adjunto.

Explicou que a audiência desta quinta-feira é a penúltima e que já na próxima semana, segunda-feira 21, Dia da Primavera, concluirá com os últimos 14 postulantes, dos 81 que se apresentaram.

Reconheceu que o tema dos direitos humanos é muito importante em uma sociedade democrática e, por esse ponto de vista, as pessoas que se postulam à Defensoria devem ter um compromisso e além disso o Estado deve velar pelos direitos humanos.

"Muita gente especializada em Direitos Humanos, porque a mesma Constituição nos fala que a função e a missão principal do defensor do povo é zelar pelos direitos humanos", concluiu.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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