Legisladores debatem sobre autonomia política da Defensoria do Povo
Ênfase no cumprimento da normativa
Cerca de 80% dos primeiros 30 postulantes à Defensoria do Povo estão filiados ao Partido Colorado. O senador Rafael Filizzola (PDP) enfatiza que todo funcionário deve cumprir a lei, e que esta obrigação adquire maior relevância em organismos responsáveis por garantir direitos e exercer controle sobre o poder público.
"Todo funcionário, qualquer que seja seu cargo, está obrigado a cumprir a lei. E no caso de quem ocupa organismos que devem garantir direitos e controlar o poder público, o padrão deveria ser ainda maior", expressou Filizzola.
Antecedentes e mecanismos de controle
Filizzola aponta que essa obrigação não foi cumprida em várias instituições durante prolongado tempo. Recordou que somente a partir de 2022, quando o então senador Pedro Santa Cruz impulsionou que o Conselho da Magistratura exigisse comprovar a suspensão da filiação, começou a existir um mecanismo mais concreto de controle neste tipo de situações.
Independência institucional como requisito fundamental
O senador, que também é membro da Comissão de Direitos Humanos do Senado, considera que a Defensoria do Povo deve ser uma instituição independente dos partidos políticos. Estima que além dos marcos constitucionais e legais, deve existir uma conduta compatível com essa autonomia, assim como mecanismos efetivos para garantir-lhe.
Análise de fatores estruturais
Filizzola identifica uma combinação de fatores que contribuem para este fenômeno: a persistência de práticas de filiação e dependência partidária no Estado, a concentração do poder político, e o cálculo individual de quem considera que suas possibilidades de acessar determinados cargos são maiores se pertencer ao partido que controla o governo.
O legislador indica que existe a percepção de que o Estado paraguaio se converteu em um espaço onde a pertença política funciona como uma condição de acesso e permanência em certas posições.
Concentração política e autonomia institucional
"Hoje existe uma concentração política muito forte. Estendeu-se a instituições que constitucionalmente deveriam ter autonomia e contrapesos, incluídos organismos extrapoderes", assinalou Filizzola, quem salienta que esta situação transmite uma mensagem que prioriza a filiação partidária sobre critérios como a idoneidade e a trajetória profissional.
Perspectivas desde outros setores legislativos
O deputado Raúl Benítez (independente) concorda que a filiação de candidatos responde mais a pressões do poder atual que a vontades individuais. Adverte que essa pressão se exerce tanto para quem aspira a um cargo como para quem já o ocupa.
"Os que estão hoje, os que já estavam desde antes, tanto funcionários públicos, como gente que concorre, basicamente hoje estão obrigados a submeter-se ao poder político deste grupo", expressou Benítez.
Processo de seleção da Defensoria
A convocação para a Defensoria do Povo fechou recentemente com a apresentação de 49 candidatos, entre eles o titular atual Rafael Ávila Macke e a adjunta Natalia Sosa, que buscam manter-se em seus cargos.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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