Jovem propõe um modelo de IA que respeite a essência oral do guarani
Uma proposta inovadora de inteligência artificial (IA) orientada à inclusão do idioma guarani baseada em um modelo oral que busca desenvolver sistemas capazes de escutar, interpretar e compreender o contexto cultural de línguas de tradição oral foi a proposta que apresentou a estudante paraguaia Samantha Adorno no CHI 2026, celebrado em Barcelona, Espanha.
O congresso CHI (Conference on Human Factors in Computing Systems) é um dos encontros mais relevantes em nível mundial no âmbito da tecnologia e da interação humano-computadora, o que posiciona a participação de Adorno como uma contribuição importante do Paraguai ao debate global sobre inclusão digital e diversidade linguística.
Samantha, estudante de graduação da University of Kansas (KU) mediante o convênio do Comité Paraguay Kansas (CPK), propôs uma mudança de paradigma no desenvolvimento da inteligência artificial: deixar de se centrar exclusivamente em sistemas baseados em textos e avançar para soluções que integrem voz, contexto e identidade cultural. Durante sua exposição, explicou que o guarani, apesar de ser idioma oficial, continua tendo escassa presença em ambientes digitais. "Paraguay tem dois idiomas naturais, o espanhol e o guarani, e quase 69% dos paraguaios fala guarani", assinalou ao advertir que essa realidade não se reflete no mundo tecnológico, onde 82% da população está online.
Nesse sentido, indicou que um dos principais obstáculos é a natureza oral do idioma. "A maioria das pessoas no Paraguay, na realidade, não sabe escrever em guarani", afirmou e destacou que os esforços tradicionais de digitalização priorizaram o texto sem considerar como realmente se usa a língua.
"Isso se deve a que o guarani sempre foi principalmente oral e se transmitiu oralmente durante séculos. Então o problema não é que não tenhamos tentado o suficiente para pôr o guarani em texto, mas sim ver onde está realmente o idioma", disse em sua apresentação.
A proposta apresentada propõe uma arquitetura de inteligência artificial baseada em múltiplos agentes que permitem integrar processamento de voz, interpretação de intenções, memória contextual e validação cultural em tempo real, superando as limitações dos sistemas atuais.
Adorno questionou o funcionamento dos assistentes virtuais tradicionais ao assinalar que "não mantêm contexto nem memória", o que impede uma interação verdadeiramente conversacional, especialmente em idiomas como o guarani. Da mesma forma, advertiu que os usuários terminam adaptando sua forma de falar para serem compreendidos pela tecnologia. "Encurtamos frases, nos repetimos e articulamos em excesso só para sermos entendidos", explicou. Descreveu uma dinâmica que exclui quem não se encaixa nesses padrões.
Um dos eixos centrais do projeto é a soberania dos dados, promovendo que as próprias comunidades participem na coleta, uso e gestão de sua informação linguística. "Capture seu lar, sua família e seu sotaque", expressou sobre a voz, enfatizando a necessidade de um enfoque ético e comunitário.
Nessa linha, propôs que a inclusão tecnológica não deve se limitar a melhorias técnicas, mas deve incorporar o respeito às identidades culturais e às formas próprias de comunicação de cada comunidade.
O trabalho foi valorizado como uma contribuição relevante para a inclusão de línguas indígenas no desenvolvimento tecnológico global, com potencial de implementação no Paraguay através de processos participativos com comunidades locais, destacaram do Comité Paraguay Kansas.
Durante sua intervenção, Adorno sintetizou o espírito de sua proposta muito ligado às suas raízes e à cultura em torno de um idioma compartilhado por todo um povo.
"Quando a tecnologia não escuta, invisibiliza. Quando aprende a escutar, inclui. O guarani não é só um idioma. É identidade. É história...
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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