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Internacional

Japão lança ambiciosa missão para coletar amostras de Fobos, lua de Marte

20/10/2026 04:45 4 min lectura 13 visualizações

Objetivos científicos da missão MMX

A missão está programada para uma duração de cinco anos e, caso atinja seus objetivos, resultará na coleta de aproximadamente 10 gramas de material de Fobos, junto com medições e dados da atmosfera marciana e de Deimos, o outro satélite de Marte.

Kiyoshi Kuramoto, pesquisador principal da missão, explicou que a formação de Fobos continua sendo uma questão em aberto na ciência planetária e que as amostras obtidas em sua superfície contribuirão para resolvê-la. "Duas hipóteses principais explicam a origem das luas de Marte: o cenário de captura e o cenário de um impacto gigantesco. A análise de amostras pode determinar qual desses cenários deu origem a Fobos", detalhou o cientista.

O projeto também aspira a revelar os processos pelos quais Marte e outros planetas do sistema solar obtiveram água e materiais essenciais para o desenvolvimento da vida.

Importância das amostras marcianas

Hidenori Genda, cientista planetário e professor no Instituto de Ciências de Tóquio, destacou o interesse especial em determinar se Fobos provém das regiões mais distantes do sistema solar. "Se esse for o caso, as amostras poderiam fornecer pistas importantes sobre quando e como materiais voláteis —incluindo água e compostos orgânicos— foram transportados do sistema solar externo para o sistema solar interno, onde se formaram a Terra e Marte", apontou.

Cronograma e detalhes do lançamento

O lançamento da sonda está previsto para as 04h41 de horário local desta terça-feira (19h41 GMT da segunda-feira). O veículo viajará a bordo de um foguete H3 da Agência de Exploração Aeroespacial do Japão (JAXA), a partir do Centro Espacial de Tanegashima, localizado ao sul da ilha japonesa de Kyushu.

A sonda iniciará uma viagem de um ano rumo ao sistema marciano, onde entrará em uma órbita quasisatelital ao redor de Fobos. Lá realizará observações detalhadas de ambos os satélites e procederá à coleta de amostras no satélite maior.

Retorno das amostras à Terra

De acordo com o cronograma do projeto, a sonda abandonará o sistema marciano em 2030 e iniciará uma viagem de um ano de volta à órbita terrestre. Uma cápsula de reentrada se separará da sonda principal e pousará na Austrália.

Colaboração internacional e experiência prévia

A missão é liderada pela JAXA, mas conta com a participação das agências espaciais dos Estados Unidos (NASA), Europa (ESA) e Austrália, além de centros espaciais da França e Alemanha. A equipe aproveitará a experiência adquirida na missão Hayabusa 2, que em 2014 foi lançada para coletar amostras do asteroide Ryugu e completou com êxito sua operação ao depositar sua cápsula na Austrália em 2020.

Kazuto Suzuki, professor da Universidade de Tóquio especializado em políticas científicas e tecnológicas, apontou que a coleta de amostras espaciais "é um setor em que o Japão pode tomar a dianteira frente a outras nações". Explicou que tanto a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, como membros-chave do partido governante possuem experiência em política espacial, e que a indústria aeroespacial constitui um dos setores estratégicos no plano de crescimento do Governo japonês.

Futuro da exploração marciana

Além dos objetivos científicos imediatos, a missão MMX apresenta uma oportunidade estratégica: estabelecer as bases para futuras explorações do planeta vermelho. "Devido à proximidade de Fobos a Marte —a apenas cerca de 6.000 quilômetros da superfície marciana—, o satélite é considerado um possível local para estabelecer uma base de trânsito destinada a uma futura missão humana", explicou Kuramoto.

Genda destacou que o projeto representa um marco importante ao não apenas propor viajar até Fobos, mas também ao demonstrar a capacidade de regressar com material coletado, um feito que consolidaria a posição do Japão como potência na exploração espacial.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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