Irã e Omã chegam a acordo sobre nova rota de trânsito no Estreito de Ormuz
Implementação dependerá de ações dos Estados Unidos, que mantém bloqueio aos portos iranianos
Acordo bilateral sobre rota marítima
Irã informou na quarta-feira que alcançou um acordo com o Sultanato de Omã sobre uma nova rota de trânsito para navios no Estreito de Ormuz, estratégico passo marítimo onde ambos os países são ribeirinhos. A implementação desta rota dependerá, segundo fontes iranianas, das ações que adote os Estados Unidos, que impôs um bloqueio aos portos iranianos.
O porta-voz da chancelaria iraniana, Esmail Baqai, confirmou que as coordenadas geográficas da rota foram acordadas pelas duas partes. Indicou que Irã e Omã trabalham na elaboração de uma "declaração conjunta", desde que "terceiras partes não obstruam o processo".
Contexto de tensões internacionais
A partir da retomada de hostilidades com os Estados Unidos em julho, Teerã fechou este passo estratégico por onde transitava aproximadamente um quinto do comércio mundial de hidrocarbonetos anterior ao conflito. O presidente norte-americano, Donald Trump, manifestou em várias ocasiões que Irã deseja chegar a um acordo para reabertura da rota, afirmação que foi desmentida pelas autoridades iranianas.
O vice-presidente norte-americano, JD Vance, reconheceu na quarta-feira na Fox News que as negociações foram desiguais, experimentando tanto avanços quanto retrocessos. Expressou que alcançar um acordo será "complicado e levará tempo", atribuindo isso a divisões internas dentro da estrutura de poder iraniana.
Segurança marítima no estreito
Segundo Baqai, embora fosse alcançado um acordo bilateral, a passagem não estaria livre de riscos, já que "os fatores que tornam o Estreito de Ormuz inseguro continuam existindo por parte dos Estados Unidos". Mencionou o bloqueio naval imposto por Washington em represália ao fechamento do estreito por parte de Teerã, além de "outras ações agressivas e ameaçadoras".
Irã manifestou sua intenção de manter uma rota exclusivamente ao longo de suas costas e está considerando implementar tarifas de serviço, possibilidade rejeitada pelos Estados Unidos e outros países, e que vai contra o direito marítimo internacional.
Incidentes recentes em águas regionais
A agência marítima britânica UKMTO informou na quinta-feira que a tripulação de um petroleiro reportou ter escutado explosões enquanto transitava pelo Estreito de Ormuz.
Por sua vez, os rebeldes houthis do Iêmen anunciaram na quarta-feira que atacaram dois navios-tanque de óleo bruto sauditas no Mar Vermelho e no Golfo de Áden, como parte de um bloqueio anunciado contra a frota do reino. Em outra frente do conflito regional, o exército israelense informou que dois soldados morreram em combate no sul do Líbano, onde enfrenta o movimento Hezbollah.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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