Irã anuncia fechamento do Estreito de Ormuz com novos bombardeios no Golfo
Escalada de hostilidades entre Irã e Estados Unidos coloca em risco a frágil trégua
Irã lançou no domingo mísseis e drones contra seus vizinhos do Golfo e anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz após ataques estadunidenses em resposta a disparos iranianos contra um navio, uma nova escalada que questiona a frágil trégua. As hostilidades evidenciam as dificuldades para avançar nas negociações para encerrar de forma definitiva o conflito e ressaltam que o tema do Estreito de Ormuz emerge como um dos pontos críticos para alcançar um acordo.
O presidente estadunidense, Donald Trump, declarou esta semana que o cessar-fogo "terminou" devido aos ataques iranianos contra navios nesta via estratégica. O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) afirmou que lançou aproximadamente 140 ataques contra o Irã e posteriormente Trump afirmou que seu país golpeou "muito duramente" o Irã.
Em resposta aos ataques, os Guardiões da Revolução anunciaram o fechamento do Estreito de Ormuz e o Irã lançou uma enxurrada de bombardeios contra países do Golfo aliados dos Estados Unidos.
"O Estreito de Ormuz permanecerá fechado até novo aviso e até o fim das intervenções estadunidenses nesta região", informaram os Guardiões.
Meios iranianos informaram sobre explosões no sul do país, em Bandar Abás, Sirik e na ilha de Qeshm, assim como na província de Khuzestão, fronteiriça com o Iraque. Também reportaram a morte de um soldado iraniano na cidade sulista de Jask.
O controle do Estreito tornou-se uma moeda de troca chave para o Irã, e Mohsen Rezai, assessor militar do líder supremo iraniano, afirmou no domingo que "este passo estratégico é mais importante que dezenas de bombas atômicas", em referência ao programa nuclear iraniano.
Posteriormente, o exército estadunidense desmentiu os Guardiões da Revolução e afirmou que o tráfego flui pelo Estreito de Ormuz e que "o Irã não controla" esta passagem.
O chefe da diplomacia paquistanesa e mediador no conflito, Ishaq Dar, instou as partes à "desescalada" e à moderação.
Estados Unidos e Irã assinaram em 17 de junho um protocolo de acordo no qual concederam 60 dias de trégua para negociar o fim da guerra, desencadeada em 28 de fevereiro por um ataque de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã.
Quase um mês depois, os Estados Unidos bombardearam o Irã na noite de terça-feira e novamente na quarta-feira, após responsabilizar Teerã pelos ataques contra navios comerciais na zona. Em retaliação, o Irã atacou diversos objetivos no Golfo.
"Uma rota não autorizada"
Após o último ataque dos Estados Unidos contra o Irã neste domingo, Kuait, Bahrein e Emirados Árabes Unidos informaram sobre ataques aéreos contra seus territórios, e exploções foram ouvidas no Catar.
As autoridades catarienses confirmaram ter interceptado mísseis, enquanto Teerã declarou ter visado uma base aérea estadunidense no emirado "em resposta aos ataques contínuos" dos Estados Unidos.
Os Guardiões da Revolução, o exército ideológico iraniano, reivindicaram ainda um inusitado ataque contra Omã, afirmando ter destruído bases de apoio logístico dos porta-aviões estadunidenses no porto de Duqm, conforme a agência Irib.
Também a Jordânia indicou ter sido alvo neste domingo de três mísseis iranianos que não causaram danos.
Ao anunciar o fechamento do Estreito de Ormuz, os Guardiões da Revolução explicaram que dispararam tiros de aviso contra um barco que "havia tentado tomar uma rota não autorizada".
Teerã autorizou um único corredor de navegação por esta passagem marítima, próximo a suas costas, e descarta voltar à situação anterior à guerra, quando havia livre trânsito pela via.
Segundo a agência de segurança marítima britânica UKMTO, o ataque ocorreu aproximadamente 17 quilômetros a leste da península de Musandam, em Omã, e causou um incêndio a bordo, de modo que a tripulação teve que abandonar o navio em um bote salva-vidas.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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