IPS terá orçamento para compras apenas até o final de julho
Instituto enfrenta crise financeira e busca refinanciamento de dívidas
Situação financeira crítica
O Instituto de Previsión Social (IPS) enfrenta uma situação financeira que requer atenção imediata. O presidente da previsional, Isaías Fretes, e a diretora financeira, Gladys Vera, informaram perante a Câmara de Deputados que a instituição não poderá emitir novas ordens de compra nem iniciar licitações sem uma ampliação orçamentária.
Segundo os dados apresentados, o IPS dispõe atualmente de apenas G. 44.000 milhões mensais para compras, enquanto suas necessidades reais chegam a G. 150.000 milhões. Esta brecha significativa poderia frear a aquisição de medicamentos, insumos e serviços essenciais para a operação da instituição.
Limitações orçamentárias
O principal obstáculo para continuar com novas aquisições é a exigência de contar com um Certificado de Disponibilidade Orçamentária (CDP) antes de emitir ordens de entrega ou assumir novos compromissos, conforme o artigo 393 do decreto regulamentário da Lei de Orçamento.
Gladys Vera confirmou que o orçamento disponível para executar os contratos vigentes alcança unicamente até o final de julho. A diretora financeira explicou que os recursos atribuídos para 2026 resultam insuficientes para cobrir simultaneamente a compra de medicamentos, a execução de contratos vigentes e o pagamento das dívidas acumuladas.
"Sem esses medicamentos e insumos não podemos nem sequer prosseguir com as cirurgias praticamente no IPS", advertiu a funcionária durante a sessão extraordinária.
Dívida institucional
A situação agrava-se por uma dívida mensal de G. 176.000 milhões. Esta carga financeira obriga a instituição a propor um refinanciamento de seus passivos para recuperar capacidade de investimento. Fretes explicou que grande parte dos recursos destina-se ao pagamento de obrigações herdadas de administrações anteriores, muitas delas com juros elevados.
Proposta de reengenharia financeira
Como resposta a esta situação crítica, as autoridades do IPS propuseram conformar uma mesa técnica para desenhar, no prazo de oito dias, um plano de reengenharia financeira que se incorpore à Lei de Estado de Emergência impulsionada pelos Deputados.
A proposta consiste em refinanciar as dívidas herdadas para estender prazos e reduzir a pressão sobre as finanças institucionais. Fretes apontou que este plano proporcionaria "o oxigênio para poder sacar adiante a instituição".
O titular do IPS enfatizou que a margem de tempo é muito reduzida. "Calculamos que se até o final de agosto não lhe dermos uma solução, não quero nem pensar no que vai acontecer com a instituição", expressou.
Solicitação de exceções
A previsional solicitou uma exceção temporária à disposição que exige disponibilidade orçamentária até dezembro, enquanto avança um processo de refinanciamento com bancos e credores, negociações que demandarão vários meses.
Fretes respaldou o projeto de Lei de Emergência, embora insistisse em que a iniciativa deve incluir ferramentas financeiras e não se limitar unicamente a flexibilizar processos administrativos.
Ações imediatas
Como resultado da reunião mantida com as comissões de Deputados, conformou-se uma mesa técnica integrada por representantes do IPS e dos legisladores, com o compromisso de apresentar em oito dias uma proposta que incorpore a reengenharia financeira ao projeto de lei.
O deputado Yamil Esgaib defendeu a iniciativa legislativa, apontando que foi elaborada a partir das dificuldades detectadas na previsional. "A instituição é de um milhão seiscentos mil paraguaios; para isso temos que legislar e trabalhar em consequência", expressou o legislador, que assegurou que a proposta busca agilizar as compras sem eliminar os controles correspondentes.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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