IPS: Fretes verificará se equipamentos de USD 20 milhões armazenados ainda funcionam
Equipamentos biomédicos abandonados desde 2022 serão inspecionados hoje
O presidente do Instituto de Previsão Social (IPS), Isaías Fretes, verificará hoje, às 13:00, o estado dos equipamentos biomédicos adquiridos para o fracassado projeto de modernização de quirófanos do Hospital Central. Trata-se de equipamentos avaliados em aproximadamente USD 20 milhões que permanecem armazenados desde que foram abandonados pela fornecedora Neighpart, no prédio do IPS em 2022. Este caso está relacionado a uma obra alternativa de G. 53.000 milhões que também se encontra paralisada.
O IPS adjudicou a Neighpart com G. 35.333 milhões e pagou em antecipações irregulares à firma aproximadamente G 10 mil milhões. Em 2024 já havia sido alertado sobre múltiplas irregularidades na adjudicação e execução do contrato em uma auditoria interna propiciada após publicações de imprensa, assim como sérias falhas de planejamento e controle administrativo.
O projeto original do IPS contemplava a modernização de quirófanos do sétimo andar do Hospital Central mediante a instalação de equipamento de alta complexidade. Entretanto, após a compra dos equipamentos, constatou-se que a infraestrutura do edifício não era apta para suportá-los, o que impediu sua instalação.
Como consequência, os equipamentos ficaram armazenados no prédio do Hospital Central desde 2022, em condições que hoje seguem sob revisão. Diante desse fracasso, a instituição impulsionou uma segunda solução, que foi a construção de um bloco modular de 11 quirófanos em planta baixa, com um investimento de G. 53.000 milhões (aproximadamente USD 7 milhões).
Entretanto, essa alternativa também se encontra paralisada por observações técnicas relacionadas à localização, à infraestrutura elétrica e a condições do entorno hospitalar relacionadas a normas de segurança.
Soma de falhas. O relatório de auditoria interna do IPS de 2024, que analisou o contrato adjudicado à empresa Neighpart SA, concluiu que o projeto apresentou graves deficiências desde sua origem.
Um dos principais achados foi a falta de planejamento prévio, já que não se avaliou adequadamente se a infraestrutura do Hospital Central podia suportar a instalação dos quirófanos modulares. Essa omissão, segundo o relatório, foi determinante na impossibilidade de executar o projeto conforme o previsto.
A auditoria também apontou irregularidades na gestão contratual, especialmente na aplicação de aditivos que modificaram condições essenciais do acordo.
Em particular, observou-se que o Aditivo N° 3 teria alterado prazos, condições de execução e aspectos do pagamento, em possível contradição com a Lei de Contratações Públicas. Essas modificações teriam beneficiado o fornecedor ao flexibilizar as condições.
O relatório detectou além disso desorden administrativa na documentação, incluindo inconsistências nas atas de início de obra e a existência de documentos duplicados ou contraditórios durante a execução do contrato.
Antecipações sem respaldo suficiente. No plano financeiro, a auditoria questionou a entrega a Neighpart de uma antecipação de G. 10.600 milhões, equivalente a 30% do contrato, sem que existisse respaldo documental suficiente que justificasse seu otorgamento conforme aos procedimentos exigidos.
Igualmente, não se encontrou um plano de investimento associado ao uso desses fundos, o que debilitou os mecanismos de controle sobre a execução do dinheiro público.
Também se registraram pagamentos adicionais por supostos trabalhos preliminares, equivalentes a cerca de 10% do contrato, realizados sem que a área de intervenção estivesse liberada para o início efetivo das obras, o que gerou observações sobre a validade dessas certificações.
Outro ponto apontado foi a falta de aplicação de multas por atrasos, apesar de descumprimentos nos prazos de entrega e instalação do equipamento.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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