IPS enfrenta desafios para reter profissionais de saúde por limitações orçamentárias
Situação atual do pessoal médico no IPS
O Dr. Derlis León, gerente de Saúde do Instituto de Previsão Social (IPS), referiu-se aos desafios que a instituição enfrenta atualmente com relação à retenção de profissionais sanitários. Segundo o gerente, a carência de incentivos econômicos é um fator determinante na alta rotação de médicos, que frequentemente se formam dentro da previdenciária e posteriormente se transferem para outras instituições públicas ou privadas em busca de melhores remunerações.
Esta situação também afeta o pessoal de enfermagem. De acordo com as informações fornecidas, existem mais de quatro mil enfermeiros contratados cujas remunerações ficam abaixo do salário mínimo depois dos descontos aplicáveis.
Análise das brechas salariais
León explicou a diferença nas remunerações entre instituições:
"Por exemplo, por 12 horas hoje se está pagando G. 5 milhões no Ministério da Saúde e no IPS, G. 4,5 milhões, mas com os descontos de aposentadoria e seguro isso fica em aproximadamente G. 3,8 milhões finais ao médico"
O gerente de Saúde destacou que esta brecha salarial representa um obstáculo significativo para motivar os profissionais a permanecerem na instituição e continuarem sua formação acadêmica.
Crise em especialidades e subespecialidades
Outro aspecto que agrava a situação é a diminuição de profissionais que optam por realizar subespecialidades. León apontou que os médicos enfrentam o dilema de cursar uma especialidade com uma remuneração inferior à do setor privado e inclusive à do setor público. Esta realidade desestimula a formação em subespecialidades, áreas mais específicas dentro de cada especialidade que são fundamentais na medicina.
A modo de exemplo, o gerente indicou que dentro da neurologia existe a neuropediatria como subespecialidade, a qual é altamente demandada na prática médica atual.
Contexto nacional de formação médica
León também contextualizou o problema no panorama nacional. Segundo sua análise, Paraguai possui uma capacidade limitada para formar médicos devido a diversas razões socioeconômicas e às características do sistema educativo. A formação médica é um processo extenso, custoso e exigente, o que agrega complexidade ao desafio.
Adicionalmente, o sistema enfrenta a dificuldade de motivar os médicos formados para que exerçam no país e continuem se especializando. León apontou que existe uma alta demanda em especialidades como endocrinologia, cardiologia e neurologia. Porém, diante da capacidade limitada de atendimento da maioria dos hospitais, aumentar indiscriminadamente o número de vagas de formação não representaria uma solução viável.
Perspectiva do setor sindical
Desde o Sindicato Autêntico de Defesa do IPS (Sinadips) informou-se que aproximadamente 11.000 trabalhadores de saúde na instituição laboram em condições precárias. Este grupo inclui médicos, químicos farmacêuticos, fisioterapeutas, enfermeiros, radiologistas, transportadores, ficheiros, fornecedores e outros profissionais.
De acordo com o sindicato, a desprecarização de trabalhadores contratados se produziria gradualmente, com aproximadamente 900 trabalhadores beneficiados após dois anos, dos quais 215 correspondem à área de enfermagem.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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