IPS eliminará 1.000 medicamentos e insumos que continuavam sendo comprados
Chefes de áreas médicas e hospitais participam hoje da Oficina de Revisão de Medicamentos, Insumos e Dispositivos do Vademécum Institucional com o objetivo de reduzir a quantidade de medicamentos e insumos incluídos na lista oficial.
Na jornada que se estenderá até finais da tarde, será analisada a necessidade de fármacos com base na atualização dos tratamentos utilizados nos serviços de saúde.
Durante a abertura de uma oficina realizada em Ykua Sati, o presidente do IPS, Isaías Fretes, assegurou que a instituição atravessa um dos momentos mais difíceis de sua história e defendeu a necessidade de uma profunda reorganização administrativa e médica. "Esta instituição está passando por momentos muito difíceis. Tem um irmão rico, que é a parte jubilatória e uma parte médica que está pobre demais e órfã", expressou.
Fretes explicou que, devido às restrições legais, os fundos previdenciários não podem ser utilizados para sustentar o sistema de saúde, por isso buscam mecanismos para "oxigenar" financeiramente a área médica.
"O segurado tem que ir à instituição e receber os benefícios pelos quais está pagando. A função desta administração é encaminhar a instituição por um caminho transparente", sustentou.
Nesse contexto, defendeu a atualização do vademécum e apontou que a medicina evolui constantemente ao deixar obsoletos muitos tratamentos e insumos. "O antibiótico que era válido dez anos atrás, hoje já não se usa. A mesma coisa ocorre com os insumos", afirmou.
O titular do IPS destacou que, pela primeira vez em muito tempo, serão os próprios profissionais de branco quem participará diretamente na revisão da lista institucional de medicamentos e insumos. "Foram convocados todos os chefes de serviços e diretores de hospitais para trabalhar sobre a mudança da lista de medicamentos e insumos que se utilizam na instituição", indicou.
Fretes assegurou, além disso, que o processo permitirá reduzir gastos desnecessários e transparentar as compras públicas dentro do IPS.
"Para que vocês tenham uma ideia, numa primeira olhada há milhares de produtos entre medicamentos e insumos que vão sair de circulação. Medicamentos que estavam sendo comprados ao acaso", lançou.
Inclusive afirmou que alguns produtos terminavam vencidos e sem uso em depósitos institucionais. "Terminavam podres no parque", acrescentou.
O presidente também denunciou irregularidades históricas na provisão de medicamentos. "A compra de medicamentos e em vez de 100 pastilhas chegavam 70. Também ativamos os mecanismos para que isso não ocorra", apontou.
Por sua vez, o gerente de Saúde do IPS, Derlis León, explicou que a revisão será realizada com critérios "puramente técnicos" e em coordenação com cada especialidade médica. "Se alguma especialidade diz este fármaco já não me serve, ou este insumo já não me serve, se valida isso com eles e se exclui", indicou.
León sustentou que o objetivo é otimizar o vademécum e evitar que continuem figurando produtos que já não se compram há anos.
Diante da cadeia de irregularidades nas licitações do IPS, Fretes não descartou elevar os casos a nível judicial, embora não tenha estabelecido prazos, no que considerou que deveria se documentar.
"Eu acredito que uma pessoa deve ser séria, quando nós tivermos a documentação, os elementos que comprovem com seriedade e em direito da Assessoria Jurídica aí vamos atuar".
Sobre a saída dos conselheiros que acompanharam a gestão de Jorge Brítez, Fretes referiu que "eu acredito que o homem de bem, o homem educado deve se expressar uma só vez, a bola já passa para a outra quadra, do outro lado têm que haver também a mesma reciprocidade", sentenciou.
Sobre se sofre com ingerências políticas para mudança de cargos no IPS, Fretes apontou que rejeitará pressões dessa natureza.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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