IPS: Desaparecem cabos de obra licitada por G. 69 bilhões
Equipamentos de alta tensão armazenados apresentam faltantes após verificação de inventário
Os equipos e cabos de alta tensão de uma milionária licitação do Instituto de Previsión Social (IPS), que permaneciam armazenados no Departamento de Materiais após o fracasso de uma obra que nunca chegou a ser executada, apresentam importantes faltantes.
As autoridades atuais detectaram que o inventário com o qual foram recebidos em janeiro de 2025, entregues pela empresa Concret Mix, não coincide com a quantidade de materiais existente no depósito, o que resultará em uma auditoria interna para determinar responsabilidades.
Trata-se dos equipos correspondentes à Licitação Pública Nacional nº 20/18 "Projeto e Construção e Interconexão da Subestação IPS Hospital Central em 66 kV – Ad Referéndum 2019", adjudicada por G. 69.312.726.373. O projeto deveria dotar o Hospital Central de uma nova subestação elétrica, mas nunca pôde ser executado porque a linha de transmissão deveria atravessar um setor do Banco Central do Paraguai e a autorização nunca foi obtida. Concret Mix tinha o lote 2 por G. 19.080 milhões.
Durante uma inspeção ao depósito, o presidente do IPS, Isaías Fretes, ficou surpreso com o volume e o valor dos materiais. "Dá vontade de chorar isso. Olha um pouco isto. Não há necessidade de ter muitos neurônios para entender que há muito dinheiro", disse o titular da previdenciária.
Diante dos enormes rolos de cabos, Fretes apontou a situação alarmante. "Cabos de alta tensão para uma subestação da ANDE para todo o complexo hospitalar. Aqui há uma cifra incontável. Este é todo o sistema de cabeamento ou o equipamento para instalar uma subestação", afirmou.
A diretora de Logística, Cecilia Rodríguez, explicou que os equipos foram trasladados ao depósito em janeiro de 2025 com um inventário oficial, mas uma nova verificação revelou diferenças.
"O preocupante é que isso foi entregue mais ou menos em janeiro do ano passado com um inventário. Nós voltamos a fazer um inventário e falta bastante". Fretes reagiu imediatamente: "Roubaram outra vez aqui?". Rodríguez assentiu: "Tenho entendido que sim, porque não corresponde com o inventário entregue".
Desaparecimento. O presidente do IPS questionou como puderam desaparecer equipos de semelhante tamanho. "E como se pode roubar uma coisa enorme como esta? Houve o consentimento de alguém".
Rodríguez respondeu que já solicitaram uma auditoria interna para deslindar responsabilidades.
A diretora lembrou que a licitação foi adjudicada a duas empresas. Uma rescindiu seu contrato e a outra entregou todos os equipos, embora a obra nunca pudesse ser executada.
"Era para instalar uma subestação. Em 2019 a linha tinha que interceptar a zona do Banco Central do Paraguai. Eles não deram sua aprovação. A empresa cumpriu entregando os insumos, mas a obra já não pôde ser realizada", apontou a diretora de Logística.
A engenheira Alhelí Rivarola explicou que inclusive parte da infraestrutura chegou a ser construída. "A construção da linha de transmissão foi de G. 20.000 milhões. Foi executado o primeiro tramo desde Puerto Botánico até o Hospital Central e o segundo tramo era do hospital ao Banco Central".
Fretes resumiu o caso com uma sequência que, em seu critério, reflete o nível de descontrole. "Se compra isso em 2019, há um inconveniente, não se pode instalar a subestação, deixa aqui... onde foi parar?".
O titular do IPS insistiu que o desaparecimento desses equipos dificilmente pôde ocorrer sem participação de terceiros. "Como se pode roubar uma coisa grande como esta? Quer dizer que aqui veio um caminhão grande, alguém deu aprovação, alçou isso e o levou para vender".
E concluiu: "É uma questão de raciocínio. Para sacar um armatostem como este tem que vir um guindaste".
Segundo dados manejados durante a inspeção, os cabos de alta tensão estão avaliados em torno de G. 800.000 por metro.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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