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Saúde

IPS: 126 medicamentos estão em falta por atraso de fornecedores

Instituto de Previsão Social enfrenta cenário crítico de desabastecimento em julho, com 36 empresas fornecedoras falhando na entrega de medicamentos essenciais

10/07/2026 07:45 4 min lectura 17 visualizações

O Instituto de Previsão Social (IPS) atravessa um dos pontos mais críticos de seu abastecimento de medicamentos. Embora a instituição tenha realizado os processos de compra, conte com contratos vigentes e disponha de orçamento para adquirir os produtos, 36 empresas fornecedoras não conseguiram cumprir com a entrega de 126 medicamentos de alta rotação. Isso ocorre devido a problemas de importação, fabricação e logística, conforme foi exposto ante o Conselho pela Direção de Abastecimento.

A gerente de Abastecimento e Insumos do IPS, Cecilia Rodríguez, apontou que o cenário atual coincide com a projeção realizada meses atrás. Em fevereiro deste ano havia alertado que a falta de planejamento levaria a um pico de desabastecimento durante julho. "Sabíamos, conforme nossa projeção, que o pico máximo se daria no mês de julho. Dói que nossa projeção tenha se confirmado", expressou.

Conforme explicou, o problema tem a ver com a confluência de dois fatores: por um lado, a partir de 2026 foi incluída como norma contar com um certificado de disponibilidade orçamentária (CDP) para liberar ordens de compra. A isso se somaram falhas na cadeia de suprimentos por falta de planejamento.

Cecilia relatou que cerca de 134 medicamentos contam com contratos e certificados de disponibilidade orçamentária, mas os fornecedores encontram-se fora do prazo porque não conseguiram importar ou fabricar os produtos comprometidos.

"Fez-se o concurso, temos o dinheiro, são medicamentos de alta rotação, mas o laboratório não entrega o remédio", resumiu o presidente do IPS, Isaías Fretes.

Estes 126 medicamentos representam hoje 26% do vademécum da instituição. A partir da assessoria do IPS foi compartilhada uma lista com 118 medicamentos com entrega zero. Alguns com contratos iniciados entre 2021 e 2025, executados apenas em 2026.

A lista. Os medicamentos afetados incluem tratamentos utilizados em diversas áreas sensíveis como terapia intensiva, oncologia, cardiologia, neurologia, diabetes, doenças respiratórias e cuidados críticos.

Entre os fármacos mais comuns de alta rotação que não possuem entrega figuram Omeprazol, Paracetamol, Ibuprofeno, Amoxicilina, Metoclopramida, Salbutamol, Enalapril, Furosemida e Insulina cristalina humana.

Brítez ocultou o problema. Rodríguez havia alertado em fevereiro que uma parte importante do vademécum do IPS encontrava-se em situação de risco. Naquele momento, informou que cerca de 300 medicamentos tinham uma cobertura aproximada de dez meses, enquanto outros 200 contavam com menos de nove meses de disponibilidade, um período considerado crítico porque os processos de compra requerem tempo para licitação, adjudicação e provisão por parte das empresas.

A funcionária havia alertado além disso que 22% dos medicamentos já apresentavam estoque zero nos primeiros meses do ano e que, sem novas licitações em um prazo de cinco meses, a situação poderia se estender a 57%.

O conselheiro José María Argaña referiu que isso foi divulgado, mas que Jorge Brítez ocultou os dados.

A partir da administração, Fretes sustenta que o cenário é consequência da desordem acumulada em gestões anteriores e pediu determinar as causas específicas que levaram à falta de medicamentos essenciais.

Na sessão do Conselho de Administração, o IPS informou que impulsa novas licitações. Uma delas contempla a compra de 47 medicamentos de alta rotação e outra inclui 20 produtos, entre eles medicamentos destinados a procedimentos de Hemodinâmica.

"Quando se trata do coração, não espera. Quero saber por que se chegou a estoque zero em certos medicamentos: se foi por falta de dinheiro, por inoperância ou por faltas administrativas. Os medicamentos de Hemodinâmica não podem faltar", manifestou Fretes.

O titular do IPS insistiu que em vários casos o problema não foi a falta de orçamento.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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