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Esportes

Investimento privado, um projeto de mercantilização que divide o futebol

30/07/2026 20:00 4 min lectura 9 visualizações

O projeto da FIFA prevê a criação de uma empresa, a FIFA Forward Enterprise (FFE), encarregada de gerenciar suas atividades comerciais (transmissão, patrocínios, bilheteria, concessão de licenças) e de eventos (Mundial, Mundial de Clubes, etc).

Os investidores privados poderão possuir ações da FFE, mas serão minoritários, prometeu a instituição.

A entidade quer arrecadar até 4,2 bilhões de dólares, cifra baseada em um valor estimado para a futura empresa de 20 bilhões de dólares, o que equivale a uma participação externa de pouco mais de 20%.

A FIFA assegura que manterá o controle exclusivo desta sociedade, além da "autoridade exclusiva" sobre a governança do futebol, as competições, o calendário, as decisões regulamentares.

Se o projeto for adiante, cada uma das 211 federações poderia receber um pagamento extra de 20 milhões de dólares no início de 2027, enquanto a dotação para o período 2027-2030 aumentaria de 8 para 20 milhões de dólares.

Na quarta-feira, o presidente da FIFA, Gianni Infantino, defendeu o projeto e falou de "uma ocasião de ouro para dinamizar o desenvolvimento do desporto em escala mundial".

Estimou que "apenas uma parte demasiado fraca do crescente valor comercial do futebol chega aos atores deste desporto que mais o necessitam".

"É uma oportunidade mas não uma obrigação" que se enquadra dentro de "um processo democrático", declarou.

Segundo o ítalo-suíço, a iniciativa constitui "uma etapa lógica" da avaliação da FIFA e permitirá reforçar o desenvolvimento do futebol "em todos os cantos do mundo, tanto no futebol masculino como feminino".

"Desejamos contribuir para que emirjam os próximos Cabo Verde", assegurou Infantino, em alusão à seleção do pequeno estado africano que na Copa do Mundo 2026 chegou às oitavas de final em sua primeira participação.

"Uma maior parte de receitas pagas às federações membros significa mais investimento em melhores campos, em seleções mais potentes e em mais opções para os jovens meninos e meninas de todo o mundo", assegurou Infantino.

O dirigente assegurou que a FIFA seguirá regendo o futebol "sem nenhuma interferência externa".

A principal oposição vem da UEFA, a potente confederação europeia, que vê neste projeto um novo exemplo da mercantilização do desporto, com um pano de fundo de risco de conflito de interesses.

"A FIFA não pode seguir usando nosso desporto para que ela e seus amigos se enriqueçam", carregou na quarta-feira a instituição, após uma reunião urgente de seus membros.

A crítica aponta para a participação do fundo de investimento Thrive Eternal, criado por Joshua Kushner, irmão de Jared, genro de Donald Trump. Infantino tem demonstrado regularmente sua proximidade com o presidente estadunidense antes e durante a Copa do Mundo 2026.

Crítica habitual da FIFA, a UEFA foi apoiada por suas federações, pela União Europeia, pela associação de clubes europeus ou pelo sindicato de jogadores profissionais FIFPro Europe.

Elevando o tom, nesta quinta-feira a UEFA inclusive anunciou que há "unanimidade" de seus membros para boicotar as competições da FIFA, Copa do Mundo incluída, enquanto o projeto estiver sobre a mesa.

Outras confederações, porém, demonstraram-se mais cautelosas.

A Confederação de América do Norte, Centro-América e Caribe (Concacaf) e a Confederação Asiática (AFC) lamentaram que o projeto fosse tornado público sem que os membros da FIFA fossem consultados, embora não se pronunciassem sobre o mérito da questão.

Por sua parte, a Confederação Africana de Futebol (CAF) chamou suas associações membros a "examinar" e "avaliar" o projeto, dizendo estar "comprometida em seguir as consultas (...) para apoiar o aumento de recursos financeiros destinados ao desenvolvimento e crescimento do futebol na África e no mundo".

A FIFA explica que apenas lançará seu projeto quando houver aprovação dos membros.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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