Inteligência artificial: China acelera com modelos abertos e baratos para competir com Estados Unidos
Em Zhongguancun, o distrito tecnológico de Pequim conhecido como o 'Vale do Silício' da capital, essa corrida já se observa em escritórios como os de Zhipu, uma das impulsoras da nova geração de modelos chineses capazes de se aproximarem da fronteira estadunidense.
Durante uma visita recente, o pesquisador de Zhipu Zheng Qinkai defendeu perante a EFE e outros meios que a distância entre modelos abertos e fechados está se reduzindo "muito rapidamente".
Zhipu resume sua missão em ensinar às máquinas a "pensar como humanos", e Zheng explicou que GLM-5.2 da empresa é o primeiro modelo aberto capaz de desafiar seriamente os sistemas fechados mais avançados.
Em IA generativa, essa abertura não significa necessariamente que todo o código seja público, mas que componentes-chave podem ser baixados, modificados e utilizados por desenvolvedores ou empresas, uma via que China tem impulsionado com força desde o surgimento de DeepSeek e que também seguem modelos como os de Zhipu, Bytedance ou Alibaba.
Zheng defendeu perante a EFE que o código aberto permite que o avanço de um modelo se converta em progresso de um ecossistema inteiro: "O modelo é o motor; o ecossistema é o que permite a milhões de desenvolvedores fazê-lo melhor do que poderia alcançar por si só qualquer laboratório fechado".
Esse posicionamento contrasta com a abordagem de grandes modelos estadunidenses de acesso proprietário.
Em Genesis Community, um centro de inovação situado em Zhongguancun onde empresas exibem usos de IA em robótica, manufatura, restauração ou brinquedaria, o empreendedor Vincent Yu resumiu essa competição feroz pela fronteira da IA: "Usamos GPT, Claude e Gemini, mas são realmente caros; nós ganhamos em yuans, não em dólares".
Yu afirmou perante a EFE e outros meios que sua empresa utiliza Doubao, de ByteDance, e GLM para programação, e que os "modelos chineses estão melhorando" em um mercado no qual se dá muita importância à "relação custo-benefício".
A disputa se desenvolve em um terreno cada vez mais estreito. Segundo comparativas divulgadas por Zhipu, GLM-5.2 já compete em tarefas de programação, raciocínio e agentes com modelos estadunidenses como Claude, GPT ou Gemini, embora com vantagens e desvantagens conforme cada teste.
Zhipu e outras empresas chinesas transformaram o preço em um trunfo: a empresa oferece um assistente de programação por cerca de 3 dólares mensais, uma tarifa muito inferior à de serviços comparáveis como Claude, embora Zheng tenha antecipado possíveis aumentos de preços.
O contexto local também favorece essa substituição: serviços como ChatGPT, Claude ou Gemini estão bloqueados na China continental, o que limita seu uso direto no país e convive com uma regulação chinesa que exige aos serviços de IA generativa controles de segurança, dados e conteúdos compatíveis com os critérios políticos de Pequim.
Nesse ambiente, Yu sustentou que, à medida que os modelos chineses ganhem qualidade e se aproximem da fronteira tecnológica, os consumidores e empresas locais "utilizarão cada vez mais" ferramentas nacionais frente a alternativas estrangeiras.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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