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Paraguai

Índice de Pobreza Multidimensional revela marcadas disparidades entre distritos do país

30/07/2026 17:00 3 min lectura 12 visualizações

Novas métricas para compreender a pobreza

O Instituto Nacional de Estatística (INE) apresentou o índice de pobreza multidimensional (IPM) distrital, construído a partir dos dados do Censo Nacional de População e Habitações 2022. Esta ferramenta permite, pela primeira vez, conhecer o nível de pobreza multidimensional em cada um dos 263 distritos do país.

Diferentemente da pobreza monetária, que mede se os ingressos de uma pessoa ou um lar alcançam para cobrir uma cesta básica, a pobreza multidimensional busca responder uma pergunta mais ampla: quanto estão privadas as pessoas de condições básicas para levar uma vida digna? Para isto avalia aspectos relacionados com o trabalho, a educação, a habitação e o acesso a serviços básicos.

Um lar pode possuir ingressos, mas seguir sendo considerado pobre multidimensionalmente se acumula várias destas carências simultaneamente.

Contrastes regionais significativos

Os resultados mostram um forte contraste entre os distritos do país. Puerto Pinasco, em Alto Paraguai, registra a maior incidência de pobreza multidimensional com 82,2% de sua população nesta condição, ou seja, mais de oito de cada dez habitantes vivem em lares que apresentam múltiplas privações simultaneamente.

Seguem-se Teniente Esteban Martínez (78,4%), Tte. 1º Manuel Irala Fernández (75,3%), General José María Bruguez (69,5%) e Mariscal José Félix Estigarribia (64%).

No outro extremo encontra-se Fernando de la Mora no Departamento Central, onde a incidência alcança apenas 0,9%, seguido por Lambaré (1,3%), Villa Elisa (1,7%), San Lorenzo (1,9%) e Asunción (2,5%). A diferença entre o distrito com menor e o de maior incidência supera os 81 pontos percentuais, refletindo as profundas desigualdades territoriais existentes no Paraguai.

Dimensões e indicadores avaliados

O índice considera quatro grandes dimensões, todas com o mesmo peso: trabalho e segurança social, habitação e serviços, ambiente e educação. Dentro delas analisa indicadores como a falta de acesso a aposentadoria, o trabalho infantil, o aglomeramento, habitações com materiais inadequados, acesso à água potável e ao saneamento, uso de lenha ou carvão para cozinhar, infrequência escolar, atraso educativo e analfabetismo, entre outros.

Um lar é considerado pobre multidimensional quando acumula privações equivalentes a no mínimo 26% dos indicadores avaliados.

Principais privações a nível nacional

A nível nacional, as privações mais disseminadas estão relacionadas com as condições de vida. A eliminação inadequada de lixo afeta 42,3% da população, o uso de carvão ou lenha para cozinhar 28,6%, a falta de acesso a uma aposentadoria 19,8% e a elevada quantidade de dependentes por cada pessoa que gera ingressos 17,3%.

Diferenças marcadas entre zonas rurais e urbanas

O estudo mostra que as condições são consideravelmente mais adversas nas zonas rurais. 90,9% da população rural apresenta práticas inadequadas para a eliminação de lixo, frente a 19,9% nas áreas urbanas. Da mesma forma, o uso de carvão ou lenha para cozinhar alcança 61,9% da população rural, enquanto que nas cidades afeta 13,3%.

Ferramenta para orientar políticas públicas

O INE destaca que o novo IPM mantém a mesma metodologia do índice oficial elaborado com a Encuesta Permanente de Hogares Continua (EPHC), mas o uso do Censo 2022 permite obter informação com um nível de detalhe muito maior. Desta maneira, as instituições públicas poderão identificar com precisão os distritos onde se concentram as principais privações e orientar melhor as políticas destinadas a reduzir a pobreza.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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