Incêndios florestais: impacto da fumaça na saúde
Contaminantes da fumaça de incêndios
Os incêndios de vegetação liberam gases e partículas ao ar que representam riscos significativos para o organismo, de acordo com a Agência Nacional de Segurança Sanitária da França (Anses). As partículas finas são especialmente nocivas porque podem penetrar profundamente nos pulmões.
O monóxido de carbono é um dos principais contaminantes gerados nestes episódios. A Anses enumera entre as demais substâncias químicas presentes nos fumos o dióxido de carbono (CO2), compostos orgânicos voláteis como a acroleína, o formaldeído e o benzeno, assim como compostos semivoláteis. Quando ardem veículos ou edifícios, podem adicionar-se contaminantes adicionais.
Populações mais vulneráveis
As pessoas que se encontram próximas ao incêndio podem apresentar sintomas respiratórios de irritação. Porém, os efeitos se estendem além e afetam toda a população situada a sotavento do incêndio, exposta aos fumos durante várias horas ou vários dias, conforme as condições meteorológicas.
Correm risco especial as pessoas vulneráveis de idade avançada ou com doenças respiratórias, os lactentes e os asmáticos, já que esta exposição pode descompensar uma situação que previamente estava controlada, segundo explicou o pneumologista francês Bruno Crestani.
Os efeitos não são unicamente respiratórios. Estas partículas podem passar à corrente sanguínea e ativar determinados processos, como descompensar uma diabetes, provocar um acidente vascular cerebral ou um infarto do miocárdio, além de afetar as mulheres grávidas. Por serem muito leves, estas partículas podem deslocar-se a distâncias muito longas.
Alcance do impacto ambiental
A Organização Meteorológica Mundial destacou que os incêndios florestais liberam uma mistura tóxica de contaminantes que pode deteriorar a qualidade do ar a milhares de quilômetros de distância. Os incêndios registrados no Canadá em 2024 provocaram contaminação atmosférica que alcançou a Europa.
Um exemplo adicional é que os megaincêndios de Las Landas, uma região ao sudoeste da França, ocorridos em 2022, deterioraram a qualidade do ar até Yvelines, próximo a Paris, a mais de 500 km do local dos incêndios, segundo a organização Oxfam França.
Efeitos sobre os bombeiros
A Anses assinala os efeitos sobre os bombeiros, expostos de forma direta durante a intervenção, mas também de forma indireta quando o incêndio já foi extinguido, durante as fases de vigilância, investigação e remoção de escombros, assim como ao retornar ao parque de bombeiros, devido à contaminação dos equipamentos, do material ou dos veículos pelo fuligem e pelas águas utilizadas para a extinção.
Cifras de impacto na saúde
A revista The Lancet cifrou em seu relatório anual sobre os riscos da mudança climática para a saúde em 154.000 o número de mortes relacionadas com a contaminação por partículas finas procedentes da fumaça dos incêndios florestais em todo o mundo.
Para a França, a Oxfam estima em 2.800 as mortes prematuras anuais relacionadas com a contaminação do ar causada pelos incêndios florestais.
Medidas de proteção
Ante os incêndios, foram implementadas medidas de proteção populacional. O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, anunciou o envio de 1,5 milhões de máscaras FFP2 a regiões afetadas por incêndios de magnitude significativa.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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