Imposto sobre o tabaco: Outro projeto propõe aumentar 10% para destinar à saúde pública
Em meio à greve de médicos que aponta para melhores condições de trabalho e insumos para os hospitais, surgiram duas propostas para aumentar o imposto sobre o tabaco e destinar os recursos ao sistema de saúde.
Na quarta-feira, a senadora Blanca Ovelar propôs que o imposto seja equivalente a 2% do salário mínimo vigente, o que, segundo o cálculo atual, representa G. 2.000 adicionais por cada maço de cigarrillos.
Paralelamente, o deputado Adrián Billy Vaesken impulsiona uma iniciativa que propõe incrementar 10% o imposto seletivo ao consumo (ISC) aplicado aos produtos derivados do tabaco e estabelece que os recursos gerados sejam destinados obrigatoriamente ao Ministério da Saúde Pública.
"A oposição deve apresentar vias de solução à precária saúde pública que oferece o governo Peña-Cartes", indicou Vaesken, que está reunindo as assinaturas para levar o projeto à mesa de entrada.
A proposta opositora em Deputados retoma uma proposta apresentada dois anos atrás, quando um grupo de legisladores havia impulsionado um aumento do imposto sobre o tabaco para destinar o arrecadado à compra de medicamentos oncológicos.
Em 2024, os deputados opositores propuseram elevar 2% o imposto sobre o tabaco com esse objetivo, mas a medida finalmente não prosperou na hora da votação.
O projeto atual sustenta que o sistema sanitário atravessa uma situação crítica, marcada pela falta de medicamentos e insumos, as dívidas com fornecedores, a superpopulação dos hospitais e as dificuldades financeiras que afetam instituições como o Instituto de Previsão Social (IPS) e o Instituto Nacional do Câncer (Incan).
Na exposição de motivos menciona-se que o aumento do imposto busca constituir-se em uma fonte específica de financiamento para atender às necessidades mais urgentes do sistema público de saúde. Os projetistas argumentam também que a medida permitiria reduzir o consumo de tabaco e, ao mesmo tempo, gerar maiores ingressos para o Estado.
O documento aponta que a taxa do ISC aplicada ao tabaco no Paraguai atualmente situa-se em torno de 22%, enquanto que, segundo os fundamentos da proposta, em outros países da região a carga tributária sobre estes produtos representa entre 40% e 60% do preço final.
O projeto estabelece que os fundos adicionais gerados pelo incremento deverão ser depositados em uma conta especial do Ministério da Saúde e utilizados exclusivamente para três objetivos.
O primeiro será a aquisição de medicamentos e insumos oncológicos destinados à rede pública de saúde e ao Incan. O segundo contempla o cancelamento das dívidas existentes com fornecedores de medicamentos e insumos médicos.
O terceiro destino será a criação de um fundo para a reivindicação salarial do pessoal de saúde, mediante um esquema de aumentos progressivos e escalonados de acordo com o vínculo laboral.
A proposta estabelece além disso que a administração desses recursos estará a cargo do Ministério da Saúde, sob a supervisão da Controladoria Geral da República, e que o dinheiro não poderá ser utilizado para fins distintos aos estabelecidos na lei.
Os impulsores da iniciativa sustentam que, diante da magnitude da crise sanitária, o financiamento do sistema não pode depender exclusivamente do orçamento geral do Estado.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
Nossa equipe editorial trabalha para oferecer informação clara, completa e atualizada para o leitor brasileiro.