IA coloca em risco 35% dos empregos e especialistas pedem capacitação em tecnologia
Organização Internacional do Trabalho alerta que entre 29% e 35% dos postos de trabalho na América Latina e Caribe estão ameaçados pela inteligência artificial generativa
A Organização Internacional do Trabalho (OIT) e a Comissão Econômica para América Latina e o Caribe (Cepal) estimam que entre 29% e 35% dos postos de trabalho estão em risco na América Latina e o Caribe diante do avanço da inteligência artificial (IA) generativa e da automatização.
Esses percentuais significam que serão afetados 22.000.000 de postos laborais de atividades repetitivas e padronizadas, tais como arquivo, tarefas administrativas e outras, que apresentam altíssimo risco de substituição devido a serem trabalhos facilmente executáveis por meio de aplicações tecnológicas atuais, conforme explicou a ÚH, Diego Garzón, chefe da Oficina de Cooperação e Relações Internacionais do Ministério do Trabalho da Colômbia.
Diante desse cenário do avanço da IA em relação aos postos laborais, Garzón – que participou esta semana no país de um encontro de ministérios do trabalho da região –, explicou que os países devem adaptar o mercado laboral a essas novas realidades e impulsionar a capacitação em novas vocações tecnológicas.
Explicou que é importante a formação para o trabalho na era da IA porque há uma reconversão do mundo laboral.
"Nessa reconversão do mundo do trabalho, os governos estamos chamados a nos adaptarmos rapidamente e que os processos formativos tenham a ver com esse tipo de novas realidades, porque o mercado vai se acomodando", afirmou.
Acrescentou que não se pretende evitar o uso da IA, mas aproveitá-la, porém para isso é necessário reorientar para novas vocações laborais.
"Que permitam também incluir, não substituir o julgamento humano, mas complementando-o com a inteligência artificial", disse.
Para Garzón, é importante uma reorientação da formação.
"Basicamente, porque há atividades que são substituíveis e realizáveis de maneira automática, mas o julgamento e o controle sobre o algoritmo sempre será humano e não uma máquina", enfatizou.
A IA avança a uma velocidade muito mais rápida que a reação dos governos e há um atraso para enfrentar esses desafios atuais, admitiu. A atuação dos governos de maneira coordenada deve ser a primeira medida.
"Isso já não é o futuro, mas o presente", destacou.
Garzón apontou que diante do elevado risco de impacto nos postos de trabalho, é necessário que os países priorizem o investimento em IA.
"O investimento global da região não chega nem a 3,7%, o que já de fato é um atraso e será preciso tomar decisões sobre maior investimento", manifestou.
COMO ALIADA
Enfatizou que a inteligência artificial não necessariamente é um inimigo, mas que pode ser um complemento para as atividades laborais inclusive nos ministérios do Trabalho. A respeito, exemplificou com o caso do México, que conseguiu otimizar a inspeção no trabalho, ou a experiência da Colômbia com o uso da IA para otimizar as entrevistas de seleção de pessoal.
Desde os ministérios do Trabalho, afirmou que se deve garantir que o trabalho seja digno, que cumpra com os padrões de segurança social, com proteção de riscos laborais, mas também com controle sobre o algoritmo.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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