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Internacional

Hutis: história e contexto do movimento que domina o norte do Iêmen

14/09/2026 08:15 4 min lectura 317 visualizações

Origem e ascensão do movimento

Em questão de dias, os hutis do Iêmen avançaram pelo sul e tomaram o estratégico estreito de Bab el Mandeb, consolidando sua posição como força relevante na região do Oriente Médio. Anteriormente considerado um movimento religioso e militar relativamente isolado, os hutis agora ocupam toda a costa iemenita do mar Vermelho, assim como grande parte do norte do país, incluindo a capital Saná.

Os hutis pertencem à comunidade zaidi, um ramo chiita do islã, minoritário entre a população majoritariamente sunita do Iêmen. O movimento surgiu nos anos 1990 em resposta à suposta discriminação sectária contra os zaidi, que predominam no empobrecido norte do país. O movimento huti, também conhecido como Ansar Alá (Partidários de Deus), recebe seu nome do falecido líder espiritual Badredin el Huti e seu filho Husein, que faleceu em 2004.

Abdulmalik, outro filho de Huti, assumiu a liderança do grupo e transformou a facção isolada do noroeste em uma potência governante na capital com influência regional significativa. Atualmente conta com dezenas de milhares de combatentes bem treinados com experiência no terreno montanhoso do Iêmen.

Os hutis controlam zonas onde vive a maioria da população iemenita, embora o governo reconhecido internacionalmente mantenha controle sobre mais território. Seus mísseis e drones representam uma ameaça para seus vizinhos do Golfo e Israel, que enfrentou ataques repetidos desde o conflito em Gaza.

Décadas de conflito

Entre 2004 e 2010, o grupo enfrentou seis guerras contra o governo iemenita de então e se confrontou com a Arábia Saudita entre 2009 e 2010 após cruzar a fronteira. Participaram dos protestos que provocaram a deposição do ex-presidente Ali Abdulá Saleh em 2012, no marco do movimento da Primavera Árabe. Seu avanço mais significativo ocorreu quando tomaram Saná em 2014, o que desencadeou uma intervenção encabeçada pela Arábia Saudita em março de 2015, seguida por uma guerra civil que gerou centenas de milhares de falecidos e uma grave crise humanitária.

Em 2022, foi alcançada uma trégua com o governo, embora os hutis mantivessem controle de grande parte do norte do Iêmen. As hostilidades se retomaram em julho quando os hutis permitiram que um avião iraniano pousasse no Iêmen, desafiando o controle saudita do espaço aéreo iemenita. O governo do Iêmen respondeu com um ataque ao aeroporto.

Relação com o Irã e atores regionais

Os hutis fazem parte do denominado Eixo de Resistência encabeçado pelo Irã, que inclui também o Hezbollah libanês, Hamas palestino e grupos armados iraquianos. A Arábia Saudita e os Estados Unidos os consideram como uma ferramenta do Irã, acusando Teerã de lhes fornecer armas, algo que a república islâmica nega.

Diferentemente do Hezbollah, os hutis não reconhecem o líder supremo iraniano como máxima autoridade. Contudo, se aproximaram progressivamente do Irã ao longo dos anos. Em 2024, os hutis começaram a atacar navios no mar Vermelho que consideram vinculados a Israel, em apoio aos palestinos durante a guerra em Gaza.

Esses ataques obrigaram muitas empresas navieras a utilizar extensas rotas alternativas pelo sul da África. Em março, os hutis entraram na confrontação regional em apoio ao Irã, lançando ataques com drones e mísseis contra Israel, sem causar danos maiores. Apesar de sua proximidade com o Irã, os hutis mantêm certa autonomia, dependendo de Teerã principalmente em matéria militar.

Controle estratégico do comércio marítimo

Os hutis conseguiram interromper o comércio mediante seus ataques no mar Vermelho e no estreito de Bab el Mandeb. Este mar, que conecta Europa e Ásia através do canal de Suez, é crucial para a Arábia Saudita, que utiliza esta via para exportar petróleo após o Irã bloquear a passagem pelo estreito.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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