Hungria avalia resultados de seu ambicioso programa para aumentar a natalidade
Um programa de alcance massivo
Durante os últimos 16 anos de governo, Hungria implementou algumas das políticas pronatalistas mais ambiciosas e generosas do mundo. As medidas incluíam empréstimos com condições que melhoravam conforme o número de filhos que o casal declarasse ter, e após o nascimento de três filhos, os empréstimos eram cancelados completamente.
O país destinou entre 4% e 5% de seu PIB a essas iniciativas, uma quantia equivalente a quase US$16.000 milhões, cifra similar à que a OTAN recomenda a seus membros investir em defesa. Esse investimento foi acompanhado de uma campanha de marketing que promovia a ideia de uma "Hungria favorável à família".
Beneficiários e resultados iniciais
Famílias como a de Máté e Ági Gorondy, pais de cinco filhos menores de 10 anos, aproveitaram as generosas prestações de maternidade e ajudas econômicas para reformar suas residências e adquirir veículos maiores. Máté, como desenvolvedor de negócios independente, se beneficiou de desgravações fiscais que aumentavam a cada filho, enquanto Ági, mãe de mais de dois filhos, ficou isenta do pagamento de imposto de renda ao retomar sua atividade laboral.
"Sentimos que esses benefícios influenciaram em nossa decisão de ter filhos, já que geraram uma atitude favorável em relação às famílias", afirmou Máté, que além disso observou em sua comunidade um aumento notável de famílias com quatro e cinco filhos.
Evolução da taxa de natalidade
Durante um período, a taxa de natalidade de Hungria mostrou incremento: passou de 1,25 em 2010 para 1,61 em 2020. Alguns analistas consideraram esse aumento um feito significativo do programa.
Contudo, nos últimos três anos, a taxa de natalidade desceu para 1,31, uma cifra apenas superior à registrada no início do programa, o que levanta questões sobre sua efetividade sustentada.
Análise de especialistas
Segundo Eva Fodor, codirectora do Instituto da Democracia da Universidade Centro-Europeia,
"parece que essas políticas foram efetivas durante um tempo, como costuma ocorrer com a maioria das medidas pronatalistas".
Fodor aponta que os incentivos econômicos provavelmente impulsionaram algumas pessoas a ter filhos que de qualquer modo teriam tido, simplesmente antecipando sua decisão. "Por isso a taxa de natalidade subiu durante um tempo, um ou dois anos, e depois começou a descer novamente", explicou.
Timothy P. Carney, pesquisador principal do American Enterprise Institute e autor de diversos livros sobre o declínio da natalidade, considera que o maior êxito da iniciativa foi posicionar a família no centro do discurso político nacional.
Desafios para os casais
Nem todos os beneficiários vivenciaram o mesmo sucesso. Casais como Barbara e Levi, que enfrentaram dificuldades para conceber de forma natural, encontram-se em situações complexas. Barbara, assistente social, e Levi, chef, receberam acesso a dezenas de milhares de dólares em empréstimos sem juros e subsídios ao prometer ter dois filhos. Contudo, diante da necessidade de recorrer a tratamentos de fertilidade in vitro, enfrentam a pressão de demonstrar uma gravidez para novembro; caso contrário, deverão devolver os empréstimos com penalizações que consumiriam quase metade de seus rendimentos.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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