Gustavo Benítez: Matéria, intenção e acaso
Por um lado, a montagem dispõe a representação de corpos celestes ou do infinito cósmico com suas espirais, vórtices, buracos negros, luas, meteoritos e forças eletromagnéticas. Outra dimensão, ancorada na Terra, localiza o habitat físico no qual os seres viventes percebem a realidade, onde os materiais primigenios sinalizam aspectos subjetivos e íntimos da vida humana, animal ou vegetal.
Ao estar nossas vidas conectadas e não separadas da natureza, o artista estabelece vínculos delicados que ressaltam e influem nos destinos dos seres viventes de uma maneira recíproca e multidirecional. A exposição explora as intersecções, paradoxos e a fragilidade da relação com o mundo natural que nos rodeia.
O processo criativo de Gustavo Benítez é intuitivo, manual, muito físico, deixando também espaço e oportunidade para o inesperado. Nesse encontro entre intenção e matéria se fundamenta este impulso do acaso, do inesperado, ao tempo de propiciar experimentar uma aventura criativa.
De Gustavo Benítez Galeano poderia se dizer que é um artista de importante trajetória e influência no âmbito local, mas que decidiu permanecer como invisível, similar às obras que realiza. Gustavo é um artista visual que inicia sua carreira muito precocemente, e que já em 1979 adquire notoriedade mostrando uma obra centrada na investigação de novas linguagens desenvolvendo "montagens", inscritos na arte da instalação e avaliando o objeto como manifestação artística.
Como prova do dito, recordamos a exposição Processo a duas páginas e seu papel imaginário levada a cabo no Centro Cultural de España Juan de Salazar, em 1979. Nela, Gustavo utiliza materiais como jornais, pigmentos, madeira, tela metálica ou efetuando monocópias com barro, colocando o espectador no centro da cena da montagem.
Sua formação posterior no Rio de Janeiro, na Escola de Artes Visuais do Parque Lage transforma seu fazer artístico e o confronta à matéria reciclada da celulose e das fibras naturais que se convertem em sua principal linguagem expressiva. Pela mão da grande artista brasileira Celeida Tostes (1929-1995) começa uma jornada através de fibras vegetais e todos os materiais naturais possíveis, criando um universo de artefatos que apelam e manifestam a vida.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
Nossa equipe editorial trabalha para oferecer informação clara, completa e atualizada para o leitor brasileiro.