Hidrovía: Argentina assina concessão e há preocupação sobre o pedágio
Novo contrato pode multiplicar até quatro vezes o custo atual da tarifa para embarcações paraguaias
A recente adjudicação e assinatura de contrato por parte do governo argentino da Via Navegável Troncal na Hidrovía Paraguay-Paraná acendeu os alarmes no setor agroexportador e naviero nacional. O contrato outorgado por 25 anos ao consórcio integrado pela empresa belga Jan De Nul e a argentina Servimagnus contempla um esquema tarifário que ameaça multiplicar até mais de quatro vezes o custo do pedágio atual, segundo publicação da Cappro. Este cenário representa um golpe direto para um país mediterrâneo que canaliza mais de 80% de seu comércio exterior por esta rota fluvial.
Atualmente, as embarcações paraguaias pagam USD 1,30 por tonelada de registro neto no trecho compreendido entre Confluência e Santa Fé. Porém, as propostas econômicas validadas no processo licitatório estabelecem uma tarifa inicial de USD 3,80. Este valor constitui um aumento imediato de 192%. A Cappro assinala que o contrato projeta aumentos escalonados que poderiam elevar a taxa até os USD 5,78 por tonelada em etapas posteriores da concessão, segundo reportagens da plataforma especializada globalports.com.ar.
Segundo esta plataforma, no trecho final de uma concessão de 25 anos, o pedágio poderia subir 44% em relação à oferta de entrada, acompanhado de obras para permitir o trânsito de navios de maior porte.
O impacto para a economia nacional adquire dimensões monumentais ao observar a infraestrutura local. Paraguai conta com a terceira frota fluvial mais grande do mundo e a maior quantidade de barcaças da região, superando as 3.000 embarcações ativas. Em termos práticos, um comboio que hoje destina USD 100.000 ao pagamento deste tributo por uma viagem específica, passaria a desembolsar cerca de USD 292.000 assim que entrasse em vigência o novo esquema.
Caso se alcance o teto máximo projetado, os custos logísticos agregariam dezenas de milhões de dólares anuais à fatura do comércio exterior. Esta carga financeira reduziria de maneira drástica as margens de ganho dos exportadores e encareceria a chegada dos produtos paraguaios aos mercados internacionais, restando competitividade a rubros-chave como grãos, óleos e carne, segundo adverte publicação da Câmara Paraguaia de Processadores de Oleaginosas e Cereais (Cappro).
Posicionamentos. Diante deste panorama, diversas entidades sindicais e instituições estatais assumiram uma postura firme. O presidente do Centro de Armadores Fluviais e Marítimos do Paraguai, Bernd Gunther, sublinhou a urgência de que as decisões sobre trechos compartilhados sejam discutidas em instâncias multilaterais. O sindicato naviero advertiu sobre o perigo de que as cargas paraguaias terminem financiando indiretamente obras destinadas a melhorar o acesso marítimo exclusivo dos portos argentinos e exigiu transparência na determinação dos custos operacionais.
As navieras locais inclusive esperam que o preço atual do pedágio se reduza com a implementação da concessão. O tema é acompanhado de perto devido ao alto impacto que este valor terá sobre o comércio internacional do Paraguai.
Por sua vez, a Administração Nacional de Navegação e Portos (ANNP) expressou sua profunda preocupação com o efeito cascata que este aumento terá em toda a cadeia logística, afetando desde o produtor agropecuário até o consumidor final. Em sintonia com estas advertências, a Câmara Paraguaia de Processadores de Oleaginosas e Cereais enfatizou que uma concessão exitosa deve garantir tarifas competitivas, uma dragagem e balizamento contínuos durante todo o ano, e mecanismos de consulta permanente para os países usuários.
O debate abandona agora o terreno puramente comercial e se traslada à arena diplomática. O Estado paraguaio se enfrenta ao desafio de fazer valer os tratados internacionais vigentes no Acordo da Hidrovía Paraguay-Paraná para evitar que a nova estrutura tarifária comprometa a viabilidade econômica do comércio regional.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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