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Internacional

"Creio que esta será a última vez que nos veremos": quem é o doutor Hussam Abu Safiya detido por Israel em Gaza e por que se teme por sua vida

09/07/2026 07:45 4 min lectura 11 visualizações
"Creo que esta será la última vez que nos veamos": quién es el doctor Hussam Abu Safiya detenido por Israel en Gaza y por qué se teme por su vida

O advogado de um destacado médico palestino de Gaza, detido sem acusações pelas autoridades israelenses durante mais de 18 meses, declarou à BBC que teme pela vida de seu cliente.

Nasser Odeh declarou que quando visitou o doutor Hussam Abu Safiya há uma semana em um infame centro de interrogatórios chamado Rakefet, seu cliente estava tão brutalmente agredido que não pôde reconhecê-lo.

"Esteve a ponto de perder a consciência várias vezes", disse Odeh sobre seu encontro.

"Nos contou que havia sido vítima de uma violência extrema dentro da prisão, especialmente no dia da visita".

Em um comunicado à BBC, o Serviço Penitenciário de Israel rejeitou a versão dos fatos, qualificando-a de falsa.

O Tribunal Supremo de Israel ordenou ao governo que responda a uma petição que exige a libertação de Abu Safiya e outros 13 médicos palestinos de Gaza que se encontram detidos sem acusações em Israel.

Segundo Odeh, Abu Safiya afirmou que mais de cinco guardas de prisão o agrediram com as mãos, cassetetes e martelos após uma apelação contra sua detenção o mês passado perante o Tribunal Supremo de Jerusalém, e que não havia recebido nenhum tratamento médico.

"Me custava reconhecer seus traços. Tinha hematomas por todo o rosto, ao redor dos olhos, no pescoço e nas orelhas. As marcas de surras e torturas eram claramente visíveis em seu rosto", contou o advogado.

"Estava exausto e tinha dificuldade para respirar, em um estado físico, psicológico e mental muito delicado", acrescentou.

"Disse claramente: 'Estou vivendo um inferno. O que sofro cada dia é inimaginável. Creio que alguém decidiu me matar'".

Odeh afirmou que não havia perdido a esperança de voltar a ver seu cliente.

"Espero vê-lo em breve fora da prisão", disse. "Seu lugar está fora da cadeia, seu lugar está no hospital".

Mas lhe custava repetir as palavras que Abu Safiya lhe disse: "Obrigado, Nasser, mas creio que esta será a última vez que nos veremos".

Segundo a ONU, Abu Safiya era diretor do hospital Kamal Adwan, no norte de Gaza, onde atendia pacientes enquanto a zona se encontrava sob um "cerco quase total" por parte das forças israelenses.

Foi detido em dezembro de 2024, quando o exército israelense obrigou pacientes e pessoal médico a abandonarem o hospital, alegando que era um "reduto terrorista do Hamas".

Naquele momento, a Organização Mundial da Saúde pediu o cessar dos ataques contra hospitais em Gaza.

As imagens que circularam naquele momento mostravam Abu Safiya caminhando entre os escombros, vestido com seu jaleco branco de médico, em direção a um veículo blindado israelense antes de ser levado para interrogatório.

Um porta-voz das Forças de Defesa de Israel (FDI) declarou à BBC que o homem foi detido por sua alegada participação em atividades terroristas e por ostentar um cargo no Hamas.

Abu Safiya tinha o posto de coronel no Departamento de Saúde do Ministério do Interior de Gaza, em uma agência que proporcionava tratamento médico às forças de segurança, à polícia e suas famílias.

Contudo, o pessoal médico e as organizações de ajuda internacional que trabalharam com Abu Safiya negam que tenha cooperado com o Hamas ou que tenha trabalhado para eles.

O médico se encontra detido em virtude da Lei de Combatentes Ilegais, que autoriza os militares a prender em Gaza toda pessoa suspeita de representar um risco para a segurança.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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