Há dinheiro para aumento a funcionários do Congresso, mas não para os médicos
Enquanto o Poder Legislativo investe milhões em conforto e benefícios, médicos da rede pública ganham salários irrisórios e abandonam o sistema de saúde
Durante cinco dias os médicos do setor público fizeram uma greve, a ministra de Saúde no início não saiu de seu gabinete e o presidente foi a um rally. Após vários dias começaram a se ocupar tenuemente do problema, mas sem demonstrar a intenção de resolver o conflito.
Diante da falta de respostas das autoridades, já apresentaram renúncias cerca de 500 médicos, enquanto no Congresso Nacional se formou uma comissão especial de crise para o estudo e avaliação da situação em saúde diante da renúncia de médicos especialistas e das dificuldades que atravessa o sistema sanitário.
Enquanto esta Comissão de crise vai estudar a situação, o médico em média continuará ganhando G. 5.000.000 por trabalhar 12 horas, depois de ter estudado em média cerca de 10 anos e o Poder Executivo já apresentou o projeto de Orçamento 2027, o qual contempla o pagamento de dívidas a fornecedores do Ministério de Saúde e a aquisição de medicamentos, mas omite o reajuste salarial que reclamam os médicos.
Infelizmente, mais uma vez estamos sendo testemunhas da indiferença e da incoerência das autoridades que governam o país. Porque enquanto do Ministério da Economia afirmam que não há dinheiro, o engenho que é o aparato estatal e seus 300 mil funcionários continuará desperdiçando em privilégios e trivialidades.
Por um lado, podem-se mencionar os escritórios ou sucursais legislativas nos departamentos, criadas há mais de duas décadas, que cresceram exponencialmente e hoje praticamente todos os membros da Câmara têm um escritório na sede central e outro nas sedes departamentais apesar de que os horários de "trabalho" não estão regulados e as gestões são as mesmas.
Estes escritórios contam com funcionários designados à tarefa de atender e agendar entrevistas com os deputados e abrem de segunda a sexta de 07:00 a 13:00.
Igualmente, o Congresso Nacional realiza dois processos de contratação com um investimento de G. 401 milhões para melhorar as condições internas da sede e contempla até G. 200 milhões para a provisão de cortinas verticais que permitirão mitigar a incidência direta da luz solar e reduzir a carga térmica interior dos escritórios; e a outra metade, G. 201 milhões, para o reacondicionamento de forro e divisórias, e de acordo com o parecer técnico da Direção de Recursos Físicos, estes trabalhos são necessários para garantir "a correta funcionalidade, segurança, conforto e estética" dos espaços de uso administrativo e parlamentar.
Igualmente, deve-se mencionar que os parlamentares possuem um seguro privado por USD 6,2 milhões em seu projeto orçamentário, além de outros gastos supérfluos.
O Orçamento Geral da Nação 2027 contempla G. 39.899.800.000 para serviços de medicina pré-paga e de saúde do Poder Legislativo, isso equivale a cerca de USD 6,2 milhões, e conforme informava ÚH, ao desagregar os valores, observa-se que algumas rubricas inclusive registram aumentos em relação ao orçamento vigente.
A Câmara de Deputados destinará G. 19.848 milhões, cerca de USD 3,3 milhões, ao seguro médico privado, quase G. 948 milhões a mais do que o orçado atualmente; enquanto o Senado projeta gastar G. 13.350 milhões, cerca de USD 2,2 milhões, o que significa um aumento de G. 441 milhões.
Enquanto os mesmos que, com uma comissão pretendem que vão resolver a crise, mas sem tocar em um único item de seus vários privilégios, luxos e gastos desnecessários, a saúde pública para o povo paraguaio está asfixiada, sem medicamentos nem insumos e com profissionais sobrecarregados e sem uma remuneração digna.
Não há dúvidas, como disse o doutor Jesús Irrázabal, ex-chefe de Urgências Pediátricas do Hospital Nacional de Itauguá, de que "estamos governados por pessoas insensíveis, não são políticos, são mercadores".
Uma frase atribuída a vários autores diz: "Se querés que...
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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