Gremios e Governo abrem mesa técnica para buscar alternativas ante a queda do dólar
A reunião entre representantes do setor produtivo e industrial e a equipe econômica nacional permitiu abrir uma instância de diálogo, mas não deixou definições concretas sobre o comportamento futuro do tipo de câmbio. As partes acordaram em avançar com uma equipe técnica para avaliar o impacto da situação cambial, analisar possíveis medidas de mitigação e gerar maior previsibilidade para as atividades econômicas.
A preocupação pela queda sustentada do dólar reuniu representantes da Federação da Produção, da Indústria e do Comércio (FEPRINCO), da Federação de Cooperativas de Produção (FECOPROD) e da União de Gremios da Produção (UGP) com autoridades da equipe econômica nacional. O encontro permitiu intercambiar posições sobre os efeitos que está gerando o cenário cambial, especialmente nas atividades vinculadas à produção e à exportação.
Em entrevistas com Valor Agro, Alfred Fast, presidente da FECOPROD, e Héctor Cristaldo, titular da UGP, coincidiram em que a reunião constituiu um primeiro passo importante, embora reconhecessem que ainda não existem respostas concretas nem projeções oficiais que permitam antecipar para onde poderia se dirigir a cotação do dólar nos próximos meses.
"Se abriu o diálogo. Resultados temos que ver no futuro, porque começamos a falar e isso é muito importante", expressou Fast, que destacou a necessidade de manter uma comunicação fluida entre o Governo e os gremios privados para avaliar as políticas econômicas que o país necessita.
O dirigente cooperativo explicou que os representantes empresariais trasladaram às autoridades as dificuldades que enfrentam as distintas cadeias produtivas como consequência da perda de competitividade. Esclareceu, além disso, que os gremios não solicitaram uma intervenção direta do Banco Central do Paraguai nem tratamentos preferenciais, senão que expuseram a situação que atravessam suas respectivas atividades.
Por sua vez, Cristaldo sinalizou que a preocupação responde a um processo de enfraquecimento do dólar que, segundo indicou, se estende desde há mais de 16 meses e está provocando uma redução da faturação em guaranis para numerosos setores. Entre as atividades afetadas mencionou a agricultura, a indústria maquiladora, o transporte e os pequenos produtores.
O Presidente da UGP advertiu que a queda dos ingresos não esteve acompanhada por uma redução equivalente dos custos de produção nem das despesas cotidianas. Nesse sentido, alertou que, se a situação continuar, as empresas poderiam se ver obrigadas a realizar ajustes que terminem afetando o emprego e a continuidade de determinadas atividades.
Um dos principais resultados do encontro foi a decisão de conformar uma equipe técnica integrada por representantes do setor privado e especialistas da equipe econômica nacional, que terá a tarefa de prosseguir com a análise da situação cambial e suas implicações para a economia nacional.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do AgroRural Paraguay.
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