Graves irregularidades em Clínicas: Denunciam morte de fetos e uso de medicamentos vencidos
Procedimentos sem consentimento dos pacientes, óbitos e outras supostas irregularidades foram denunciados pelo doutor Roberto Corbeta Bizozzero, interventor da Cátedra e Serviço de Ginecobstetricia do Hospital de Clínicas, vinculado à Medicina da UNA.
O trabalho de intervenção iniciou em agosto e foi realizado durante 40 dias. Corbeta comentou ao jornal Última Hora que uma das irregularidades teve a ver com a não apresentação de um protocolo para realizar cirurgias intrauterinas em fetos.
Embora esse procedimento seja realizado em diferentes partes do mundo e inclusive na IPS, no serviço não apresentaram tal protocolo, conforme pôde conhecer após a intervenção que realizou no hospital escola.
Para realizá-la o Hospital de Clínicas deve ter um protocolo em Ética da Pesquisa e em Bioética. Ou senão, passa a ser uma cirurgia que não tem um sustento acadêmico e científico como corresponde, pontuou o doutor Corbeta.
Outro questionamento foi sobre procedimentos realizados sem a correspondente comunicação e o consentimento assinado das pacientes que receberiam tal procedimento.
O interventor revelou também que foram aproximadamente 25 as operações realizadas. Entre elas houve também falecimento de pelo menos quatro fetos.
Corbeta apontou que essa é a quantidade de casos que puderam encontrar. Entretanto, poderiam ser mais já que várias fichas de pacientes foram extraviadas. Pontuou que deve investigar-se se não foram ocultadas, assim como um documento sobre um resultado desfavorável em uma operação.
A intervenção também deixou à vista outras supostas irregularidades. Corbeta fala de anestesia nos fetos realizada por ginecologistas.
Também sobre a denúncia feita por anestesiologistas sobre supostamente utilização de medicamentos vencidos, o qual deve ser submetido à correspondente investigação.
O médico questionou também que o Conselho Diretivo da Faculdade tenha reposto em seu cargo o doutor Miguel Ruoti Cosp, titular de Ginecologia e Obstetrícia.
Ruoti havia sido afastado do cargo durante a intervenção. O doutor Corbeta apontou que o conselho deveria ter se pronunciado sobre a intervenção antes de recolocá-lo em seu posto. Desde Clínicas referiram que uma vez que o conselho dê seu parecer darão um pronunciamento.
Conforme revelou, a intervenção teve como motivo inicial o maltrato laboral às obstetras. Após realizar-se o processo, essa situação piorou, segundo lhe contaram as trabalhadoras afetadas. A denúncia sobre o ocorrido em Ginecologia e Obstetrícia foi realizada perante a Promotoria de San Lorenzo.
O doutor Corbeta apontou que os membros do conselho diretivo tiveram conhecimento das supostas irregularidades recentemente. Entretanto, ele já havia apresentado o resultado da intervenção há 15 dias.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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