Governo paraguaio enfrenta críticas por "silêncio" após declarações de Lula sobre guerra
"Nisto há um silêncio bastante desconfortável, por dizer o mínimo", declarou o deputado opositor Raúl Benítez ao intervir na polêmica desencadeada no país pelas palavras do governante brasileiro.
Na sexta-feira passada, durante uma visita a uma fábrica da empresa de defesa Avibras Aeroco, no interior de São Paulo, Lula defendeu que Brasil possua "poder armamentístico" e conhecimento científico e tecnológico suficiente para, "sem arrogância", "falar de paz", sem deixar que "ninguém meta o nariz" no país.
"A nós nos agrada a paz, mas não podemos esquecer que, um belo dia, Paraguai decidiu invadir Brasil. Invadiu Corumbá e, ao mesmo tempo, invadiu Uruguai e ao mesmo tempo Argentina. E essa guerra, que parecia que não ia ser grande coisa, durou cinco anos", manifestou o chefe de Estado.
Nesse contexto, Benítez criticou segunda-feira, em declarações à rádio Ñandutí, que o Executivo de Santiago Peña "se posicionou de forma rápida" ante episódios, como o recente choque em redes sociais da senadora opositora Celeste Amarilla e do francês Kylian Mbappé por seus comentários racistas em relação à estrela do futebol.
Por sua vez, o ex-chanceler Euclides Avecedo disse sentir-se "perplexo" não só pelas declarações de Lula, que qualificou de "torpeza política" e "uma grave demonstração de desconhecimento da história", mas pela falta de reação do Governo paraguaio.
"O primeiro que deveria ter feito a Chancelaria é chamar imediatamente para consultas", declarou Acevedo à rádio local Universo, em alusão ao embaixador paraguaio em Brasília, Juan Ángel Delgadillo, e ao delegado diplomático brasileiro em Assunção, José Antonio Marcondes.
Também o senador opositor Eduardo Nakayama reclamou uma resposta de Assunção, ao considerar que os dizeres de Lula foram "uma agressão desnecessária", que a seu juízo, "não têm nenhuma justificativa".
"Paraguai deveria responder. Como é que você fica calado em uma situação dessas? Estão querendo colocar em você a culpa de ter iniciado uma guerra que terminou com seu país", disse à rádio ABC Cardinal.
Nakayama sustentou que "a Guerra da Tríplice Aliança começa com a invasão brasileira ao Uruguai", uma versão que assegurou "não se discute", exceto pela historiografia "imperialista brasileira".
Por sua vez, o senador governista Silvio Ovelar afirmou a jornalistas que lhe "estranha que a Chancelaria não tenha se pronunciado" ante o que tachava como uma "falta de respeito" ao Paraguai.
"Os paraguaios conhecemos profundamente o que significou aquela guerra e o enorme custo humano, político e social que representou para nosso país", sentenciou, por sua vez, o presidente do Congresso, o senador Basilio Núñez, em um comunicado divulgado em suas redes.
O congressista do governante Partido Colorado disse esperar que "quando esse episódio é evocado pela máxima autoridade de um Estado irmão" seja feito "com o respeito e a sensibilidade que merece uma tragédia que marcou para sempre a história do Paraguai".
A também conhecida como 'Guerra Grande' enfrentou Paraguai com Argentina, Brasil e Uruguai e provocou a perda de 60% da população local, segundo historiadores.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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