Godoy, da Buiatria na Turquia: "América do Sul precisa produzir mais com os mesmos recursos e reduzir as perdas"
A pecuária sul-americana atravessa um cenário de recomposição de rebanhos, retenção de matrizes e valores firmes para reposição que volta a colocar a eficiência reprodutiva no centro das decisões produtivas.
Para Carlos Godoy, gerente global de Marketing da Biogênesis Bagó, a região tem uma oportunidade importante à frente, mas deverá conseguir produzir mais bezerros utilizando melhor os recursos disponíveis e reduzindo as perdas dentro dos sistemas.
Godoy participou recentemente em Istambul, Turquia, do 33º Congresso Mundial de Buiatria, encontro que reuniu veterinários, pesquisadores, empresas e especialistas de diferentes regiões para analisar os principais desafios da saúde e da produção bovina. Em conversa com Valor Agro, explicou que uma das mensagens centrais do evento foi avançar para uma produção cada vez mais eficiente, sustentável e apoiada na prevenção.
"A sanidade, a reprodução, a vacinação, a tecnologia e o uso responsável de medicamentos devem estar cada vez mais integrados dentro da estratégia produtiva", destacou. Sob sua visão, as discussões internacionais mostram uma orientação similar à que começa a ganhar força na América Latina: deixar de observar cada ferramenta de maneira isolada e pensar a saúde animal como parte integral do resultado produtivo.
Nesse cenário, Godoy destacou especialmente o desafio reprodutivo que enfrenta a América do Sul. "Temos um papel fundamental na produção mundial de proteína e o grande desafio, sem dúvida, é aumentar a produtividade e a eficiência, produzindo mais com os mesmos recursos e reduzindo as perdas", afirmou.
Para o executivo, países como Paraguai, Brasil e Argentina têm um peso estratégico dentro da pecuária regional e contam atualmente com condições que justificam uma maior aposta em ferramentas destinadas a elevar os índices reprodutivos. Em particular, sustentou que a geração de bezerros é o ponto de partida sobre o qual posteriormente se desenvolvem as restantes etapas do negócio pecuário.
O avanço de tecnologias como a inseminação artificial em tempo fixo (IATF), os programas hormonais, o diagnóstico e as ferramentas de planejamento reprodutivo já oferecem alternativas para melhorar os resultados. No entanto, Godoy advertiu que um dos principais problemas segue sendo a descontinuidade em sua utilização quando muda o cenário econômico da pecuária.
"Quando se vivem ciclos de baixa, muitas vezes se retiram tecnologias e soluções por uma questão de preço, e somente quando começa novamente um ciclo de alta se volta a utilizá-las", explicou. Para ele, a pecuária precisa evitar essa lógica se pretende alcançar melhorias estruturais em produtividade.
Nesse sentido, ressaltou que tanto produtores quanto veterinários têm um papel fundamental na consolidação dessa mudança de visão sobre como gerenciar a saúde e a reprodução animal de forma contínua e estratégica.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do AgroRural Paraguay.
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