Gilberto Padrón explora a existência através da arte no Paraguai
Na Galería Exaedro, localizada no bairro Mburicaó de Asunción (Acá Carayá 595 esq. Prof. Moreno González), pode-se apreciar a obra do artista venezuelano Gilberto Padrón, que reside no Paraguai desde 23 de dezembro de 1998. Seus quadros de grande formato se destacam entre as dezenas de peças expostas, oferecendo ao público a oportunidade de conhecer e adquirir obras de diversos artistas.
Padrón compartilha que o Paraguai o comoveu profundamente, fortalecendo-o como trabalhador da arte e da cultura da América Latina e do Caribe. Sua formação artística começou muito cedo, quando o desenho e a pintura eram as atividades que mais desfrutava na escola.
Formação e Desenvolvimento Artístico
O artista lembra que teve a oportunidade de conhecer, pela mão de seu pai, a obra dos grandes mestres da pintura venezuelana na Galería de Arte Nacional: Arturo Michelena, Martín Tovar y Tovar, Armando Reverón e Jacobo Borges, entre muitos outros.
Sua formação teórica e prática é produto de um longo percurso entre Venezuela e França por oficinas e salas de aula das mais variadas disciplinas: desenho, pintura, história da arte, antropologia, conservação e restauração de patrimônio cultural, museologia e arqueologia.
Estilo e Filosofia Artística
No que se refere ao seu estilo, Padrón assinala que não se define dentro de um estilo pictórico em particular. "Se tivesse que me definir, diria que sou um pintor situado aqui e agora", explica o artista.
Suas obras se caracterizam por rostos difuminados, figuras sobrepostas como em um quebra-cabeças geometricamente irregular, presenças fantasmagóricas e manchas que formam figuras. Ao observar um quadro de Padrón, o espectador tem a sensação de estar sendo observado ao mesmo tempo, criando um vínculo que flui em ambas as direções.
O Olhar como Elemento Central
"A pintura é minha prática do olhar: uma forma de inscrever memória e experiência em superfícies materiais ou virtuais", explica Padrón. O artista desenvolve seu trabalho no que denomina "a borda do sistema", onde seu olhar permanece inquieto e atento.
Para ele, o olhar representa uma zona de conflito: uma superfície instável onde ver não é um ato inocente, mas implica também ser visto, interpelado e afetado.
O Lúdico e o Existencial
Quando consultado sobre como dialogam em sua obra o lúdico, a memória e o existencial, Padrón responde com uma definição que utiliza há mais de vinte anos: "A pintura é minha resposta lúdica e sensível diante do enigma da existência".
O jogo e o acaso são fundamentais em seu processo criativo. Todas as suas obras começam com um jogo de manchas aleatórias sobre a tela. "Busco sentir: me deixo levar", explica o artista, que confia que as manchas também o olham, lhe falam e o interpelam.
Esta metodologia representa sua maneira de estar no mundo, o que ele descreve como "seu beiral", um espaço de onde pode explorar e expressar as múltiplas facetas do espírito humano, incluindo aquelas menos alegres e coloridas que fazem parte da busca do significado da vida.
A obra de Padrón oferece ao espectador uma experiência visual que convida à reflexão, combinando elementos técnicos com uma profunda busca filosófica e existencial que desenvolveu ao longo de suas quase três décadas de residência no Paraguai.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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