Frigoríficos argentinos alertam pela falta de gado e reivindicam medidas para sustentar o crescimento exportador
A indústria frigorífica exportadora argentina acendeu um sinal de alerta sobre um dos principais desafios que enfrenta o negócio de carne vacuna: a disponibilidade de gado para abastecer uma demanda internacional em crescimento.
A preocupação ficou colocada durante uma reunião mantida ao final da última semana entre representantes dos principais frigoríficos exportadores do país e o ministro da Economia argentino, Luis Caputo, encontro no qual foram analisadas as perspectivas da cadeia de carnes, a competitividade e a estratégia para ampliar a presença da carne argentina nos mercados internacionais.
A delegação empresarial foi encabeçada por Mario Ravettino, presidente do Consórcio de Exportadores de Carnes Argentinas (ABC), que qualificou o encontro como "sumamente positivo" e destacou o trabalho conjunto entre o setor público e privado para consolidar e ampliar o acesso aos principais destinos de exportação.
Além dos avanços comerciais, uma das principais preocupações levantadas pela indústria foi a necessidade de recuperar o rebanho bovino argentino, que atravessa um processo de ajuste após vários anos marcados por secas, liquidação de matrizes e menores incentivos para a retenção de gado.
A situação gera preocupação porque coincide com um cenário de oportunidades comerciais para a carne argentina. Os frigoríficos consideram que existem condições para incrementar significativamente as exportações nos próximos anos, mas advertem que o crescimento deverá estar acompanhado por uma maior produção pecuária.
Conforme divulgado após a reunião, o setor projeta exportações superiores a US$ 5.000 milhões durante 2026 e aspira alcançar os US$ 9.000 milhões nos próximos quatro anos, objetivo que exigirá maiores volumes de produção e uma recuperação sustentada do rebanho nacional.
Outro dos pontos centrais do encontro foi a necessidade de aprofundar a inserção internacional da carne argentina.
Os frigoríficos solicitaram avançar na abertura e consolidação de mercados estratégicos como China, Estados Unidos, Japão, União Europeia e Israel, além de explorar novas oportunidades no sudeste asiático, especialmente em Vietnã, Indonésia, Malásia e Tailândia.
Atualmente, China continua sendo o principal destino para a carne vacuna argentina, enquanto Estados Unidos vem apresentando uma forte expansão das compras após a ampliação dos contingentes de acesso.
Durante a reunião também foi abordada a questão tributária. Os representantes da indústria insistiram na necessidade de avançar para uma redução ou eliminação dos direitos de exportação que ainda gravam alguns produtos cárnicos.
Do Governo argentino ratificaram que a redução de impostos continua sendo uma prioridade dentro da estratégia de sustentabilidade fiscal e competitividade do setor.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do AgroRural Paraguay.
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