Filho de empresário brasileiro falecido qualifica de "baixeza" comunicado do Ministério Público
Isaac Lázaro do Nascimento acusa a Fiscalía de negligência e insensibilidade ao publicar seu pai como "cidadão desconhecido"
Em uma entrevista marcada pela indignação, Isaac Lázaro do Nascimento, filho do empresário brasileiro Lázaro Silvino do Nascimento (61), falecido na cidade de Luque, desmentiu o comunicado que o Ministério Público postou em suas redes sociais solicitando a colaboração da cidadania para localizar os familiares do empresário, afirmando tratar-se de um relatório falso e que a Fiscalía jamais se comunicou com os familiares.
Lázaro Silvino, proprietário de um conhecido local de equipamentos e peças na zona, sofria de diabetes crônica há anos. Segundo relato de seu filho, após o falecimento trágico de sua irmã (que era médica patologista) em fevereiro deste ano, o empresário caiu em profundo quadro depressivo que afetou sua saúde e provocou a diminuição gradual de suas atividades comerciais.
Seu filho relatou que no sábado anterior ao seu falecimento, sentindo-se descompensado, Lázaro ingressou por seus próprios meios e sem avisar ao Hospital Geral de Luque. A médica tratante confirmou que o paciente chegou em estado confuso devido a complicações de um choque hipovolêmico e uma insuficiência cardíaca provocada por seus anos de luta contra a diabetes, o que impediu extrair dados de contato imediatos naquele momento.
O conflito escalou quando a família descobriu que uma promotora da Unidade Penal Nº 6 da Fiscalía Zonal de Luque publicou um comunicado classificando Lázaro Silvino como um "cidadão desconhecido".
Isaac Lázaro qualificou o fato como grave negligência e insensibilidade.
"É mentira que nos buscaram. Eles são o Ministério Público, têm os meios para verificar através do Registro Civil a cartilha de família. Vivíamos em contato permanente e publicar isso como se fosse um indigente, quando meu pai era um empresário conhecido da coletividade, nos causou uma dor desnecessária no meio do luto", lamentou.
Além disso, o filho do comerciante denunciou que ao comparecer à Morgue Judicial lhes foi impedido retirar o corpo sob a exigência de que deveriam comprovar sua filiação diretamente perante a promotora do caso e contar com sua autorização exclusiva, o que os obrigou a passar uma noite inteira de incerteza até que outro representante do Ministério Público interveio e assinou os documentos requeridos.
"Eles, por várias razões que nós desconhecemos, não sabemos se a promotora teve algum rancor pessoal, porque eles também tinham que ter trabalhado com o Consulado, com a Embaixada e há uma comunidade brasileira que veio justamente ao velório e todos me diziam o mesmo. Como é que nosso amigo, que por anos foi conhecido como empresário que já viveu mais tempo no Paraguai, inclusive ele também fala guarani muito bem, como é que o publicaram assim?", lamentou.
Além disso, afirmou ter passado por situação similar após o falecimento de sua irmã há seis meses.
"Eu, quando fui procurar meu pai no hospital, me disseram que, como não tem morgue refrigerada, já o levaram à Morgue Judicial. Vou para poder retirá-lo, como tive que fazer há seis meses com minha irmã, e me dizem que não podem liberar o corpo porque a promotora determinou que eu tinha que comprovar já perante ela minha filiação e, com sua autorização, só então poder retirar o corpo. Nós tivemos que ficar assim com essa incerteza a noite toda. No dia seguinte que se abre a Fiscalía às sete, estávamos lá e não apareceu a promotora, a doutora não deu a cara. Foi um agente fiscal, Arnaldo Campos foi quem realmente nos ajudou em tudo", expressou.
Por fim, a família lamenta que, apesar de ter apresentado toda a documentação legal, a ata médica e de ter esclarecido a situação, a promotora não tenha sequer se dignado a dar explicações sobre seu procedimento.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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