Fernández: "Enquanto a indústria não cumprir seus compromissos, o mercado do gado gordo seguirá firme"
O mercado de gado gordo para exportação atravessa um momento de firmeza, com uma oferta que continua limitada e uma demanda sustentada por parte da indústria frigorífica. Embora o forte impulso altista das últimas semanas tenha começado a encontrar um ponto de equilíbrio, a competição por conseguir gado terminado segue sendo intensa e mantém os valores em níveis historicamente elevados.
Essa é a visão de Mauro Fernández, diretor de MF Negocios Rurales, que analisou o comportamento atual do mercado e considerou que a principal característica do negócio segue sendo a escassez relativa de gado disponível frente às necessidades de compra das plantas frigoríficas.
"Vínhamos com uma tendência altista e hoje essa alta se estabilizou quanto aos valores, mas o mercado segue muito demandado e o gado continua muito disputado", afirmou.
Fernández explicou a Valor Agro que atualmente as indústrias negociam praticamente operação por operação, onde aspectos como a qualidade dos animais, o volume oferecido e o tipo de produção acabam definindo o preço final. Nesse contexto, sinalizou que as referências de mercado se situam sobre os US$ 5,15 por quilo de carcaça para machos e novilhas, enquanto que a vaca é negociada entre US$ 4,90 e US$ 4,95, embora existam negócios que superam esses níveis quando se trata de lotes de maior qualidade ou animais provenientes de confinamento.
Outro aspecto que destacou foi que a dispersão de valores observada semanas atrás começou a se reduzir. "Antes havia frigoríficos que pressionavam muito mais a compra pagando melhores preços. Hoje os valores estão bastante mais alinhados entre as distintas indústrias", comentou.
Apesar dessa maior uniformidade nas cotações, Fernández sustentou que a demanda continua sendo muito ativa e que as entradas a planta seguem sendo curtas, situando-se entre uma semana e dez dias.
Segundo indicou, os frigoríficos estão trabalhando praticamente no ritmo que lhes permite a disponibilidade de gado e não ao máximo de sua capacidade instalada. "As plantas têm capacidade para abater mais, mas hoje estão processando o que conseguem comprar. A oferta não alcança para aumentar significativamente os níveis de abate", explicou.
O operador também ressaltou que a estratégia de compra varia conforme os mercados que abastece cada frigorífico. Algumas indústrias priorizam machos jovens e novilhas para determinados destinos, enquanto que outras incrementam a demanda de vacas dependendo dos requerimentos comerciais do momento.
"Cada planta é um mundo. Tudo depende dos mercados com os quais opera e do tipo de produto que precisa cumprir. Isso faz com que em alguns momentos haja mais interesse pela vaca e em outros por animais jovens", sinalizou.
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Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do AgroRural Paraguay.
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