Félix Toranzos: as artes plásticas como horizonte de vida e luta
Félix Toranzos expressa sua surpresa e emoção ao receber o reconhecimento do Fondo Nacional de la Cultura y las Artes (Fondec) por sua trajetória artística e cultural. "Para mim foi uma surpresa porque geralmente não se lembram de nós", comenta sobre esta distinção que valoriza profundamente.
O artista, que foi galardoado na França como Cavaleiro da Ordem de Artes e Letras, destaca a importância deste reconhecimento estatal. "Custa tanto que o Estado nos represente, nos lembre", assinala, expressando que o Fondec representa para ele "como uma casa minha" após décadas de cooperação e trabalho conjunto.
Com mais de 45 anos de dedicação à cultura, Toranzos reflete que este prêmio constitui "uma grande surpresa e um grande benefício para minha história". Atualmente, apresenta a exposição "La memoria de los árboles" na Galería Matices, localizada na Cruz del Defensor 241 de Assunção, que estará disponível até 23 de junho próximo.
Uma obra em constante evolução
A nova série que desenvolve Toranzos aborda pinturas, gravuras e objetos diversos. O artista explica que teve de se reeducar para pintar após uma enfermidade, o que o levou a criar uma nova linha de trabalho baseada em climas e atmosferas alcançadas através de gamas de cores particulares.
"Estou trabalhando com esta atmosfera, vou agregando histórias. Tem muito a ver com meu trabalho na restauração do Palácio de López, onde desenvolvi estas texturas como fundo. Então, isso mesmo recodifico em minha obra", revela o artista sobre seu processo criativo atual.
Esta faceta moderna de sua obra mostra influências do Renascimento, período que inspirou várias séries de sua trajetória. Suas influências iniciais provêm de seu pai, pintor amador, e de seu avô poeta. Ao longo de sua carreira, Toranzos explorou ciclos geométricos e abordagens de objetos, sempre considerando também o aspecto do trabalho artístico como meio de sustento.
Compromisso com o patrimônio arquitetônico
Um eixo central na obra de Toranzos é seu amor pela arquitetura e o entorno urbano. Desde jovem, esta disciplina o comoveu e mantém-se como matéria constante em seu trabalho artístico. "Há muito tempo estou muito comprometido com o patrimônio arquitetônico nacional e meu trabalho na Manzana tem muito a ver com isto que escolhi para trabalhar", comenta.
O artista antecipa a preparação de uma nova exposição que se apresentará na Manzana: "Será um pequeno espaço de história e memoriabilia do que foi a arquitetura patrimonial no país nos anos 1900, 1910, uma contribuição minha pessoal à cidadania que vai ficar ali".
Toranzos recorda que desde 1985 iniciou um levantamento fotográfico dos edifícios de começos do século XX, trabalho vinculado a seus estudos de história da arquitetura na Universidade Nacional de Assunção (UNA). "Ali foi quando desatei esta paixão", conta sobre as origens deste compromisso com a preservação do patrimônio nacional.
Recentemente, o artista abordou o estudo "Las nueve casas de la Manzana", um projeto gráfico destinado a captar recursos para exposições, montagens e insumos culturais, demonstrando sua dedicação contínua à documentação e promoção do legado arquitetônico paraguaio.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
Nossa equipe editorial trabalha para oferecer informação clara, completa e atualizada para o leitor brasileiro.