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Economia

Febre aftosa: antes de mudar o status, quem paga a conta se algo der errado no Paraguai?

07/07/2026 03:01 3 min lectura 9 visualizações
Aftosa: antes de cambiar el estatus, ¿quién paga la cuenta si algo sale mal en Paraguay?

A discussão sobre o futuro sanitário do Paraguai frente à febre aftosa não pode se limitar a uma pergunta técnica: se o país pode ou não avançar para um novo estatus. A pergunta de fundo é mais incômoda: está preparado econômica, institucional e operativamente para sustentar as consequências dessa mudança?

O caso da Alemanha deveria ser um chamado de atenção. Em janeiro de 2025, o país europeu notificou um surto de febre aftosa em Brandeburgo, em um pequeno grupo de búfalos-d'água. Inicialmente morreram três animais. Não foi um surto massivo, nem uma crise sanitária estendida. Foi um caso pontual, detectado e atendido com rapidez. A Comissão Europeia informou que o estabelecimento tinha 14 búfalos-d'água e que a Alemanha notificou o foco em 10 de janeiro de 2025.

Ainda assim, o impacto econômico foi enorme. As perdas estimadas pelo setor agroalimentar alemão se situaram em torno de US$ 1.000 milhões, principalmente por restrições comerciais, fechamentos preventivos e vetos de mercados internacionais. Reuters informou que países como Reino Unido, Coreia do Sul e México aplicaram restrições a produtos alemães após a detecção do surto.

Esse é o ponto central: em febre aftosa, o dano não se mede apenas pelo número de animais positivos. Mede-se pela confiança que se perde, pelos certificados que se suspendem, pelos mercados que se fecham, pelo preço que se ressente e pela pressão que recai sobre produtores, indústrias e o próprio Estado.

A Alemanha tinha uma estrutura preparada. Contava com fundos públicos de sanidade animal, mecanismos de compensação, capacidade técnica, respaldo federal e apoio da União Europeia. Porém, mesmo com essa institucionalidade, o golpe econômico superou a capacidade ordinária de resposta.

O dado mais relevante é que esse impacto superou o alcance dos mecanismos sanitários previstos pelos Estados. Os fundos regionais estavam preparados para cobrir indenizações diretas, o valor dos animais sacrificados e os custos do operativo sanitário, mas não para absorver por si só uma perda comercial estimada em torno de um bilhão de dólares. Por isso, o Ministro Federal de Agricultura solicitou apoio à reserva agrícola da União Europeia.

O aviso não termina na Alemanha. Em 2026, a China também reportou casos de febre aftosa no noroeste do país, em Gansu e Xinjiang, com 219 bovinos afetados dentro de dois rebanhos que reuniam mais de 6.200 animais suscetíveis. As autoridades chinesas responderam com sacrifícios, desinfecção, reforço de controles fronteiriços e aceleração de vacinação.

O caso chinês agrega outra dimensão à análise: mostra o risco de escala. Quando uma doença altamente contagiosa ameaça uma potência produtiva e consumidora, o impacto potencial já não se mede somente no custo de um operativo sanitário, mas na possibilidade de alterar preços, fluxos comerciais e abastecimento mundial.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do AgroRural Paraguay.

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