FARM pede um acordo urgente para distribuir as cotas do Mercosul com a União Europeia
A Federação de Associações Rurais do Mercosul (FARM) reclamou que os Estados Partes alcancem quanto antes um consenso para definir como serão distribuídos internamente os contingentes de exportação otorgados pela União Europeia no marco do acordo comercial entre ambos blocos.
Em um documento datado de 3 de setembro, a organização advertiu que a falta de uma distribuição previamente acordada pode gerar riscos econômicos e estratégicos para o Mercosul, principalmente pela incerteza que enfrentam os exportadores a respeito do volume que cada empresa poderá efetivamente solicitar e utilizar.
A FARM recordou que o acordo entre o Mercosul e a União Europeia começou sua aplicação provisória em 1º de maio de 2026 e contempla, entre outros mecanismos, contingentes tarifários para determinados produtos agropecuários considerados sensíveis. No total, a União Europeia estabeleceu contingentes para 22 produtos exportados do Mercosul, enquanto o bloco sul-americano concedeu cotas para 11 produtos europeus.
Um dos principais questionamentos da Federação aponta para o critério de alocação denominado "first in, first out" (FIFO). Segundo a entidade, este mecanismo poderia transformar o acesso às cotas em uma corrida por apresentar solicitações, em lugar de permitir um planejamento comercial ordenado e de longo prazo.
Além disso, a FARM assinalou que esta modalidade poderia reduzir o poder de negociação dos exportadores frente aos compradores europeus, ao introduzir maior incerteza sobre a disponibilidade efetiva das cotas e as possibilidades comerciais de cada operador.
A organização também sustentou que a discussão transcende o impacto imediato destas cotas. Em sua visão, a ausência de uma solução dentro do bloco pode estabelecer um precedente para os numerosos acordos comerciais que atualmente negocia o Mercosul com terceiros mercados.
Ante este cenário, a Federação considerou "fundamental" que Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai avancem rapidamente em direção a um acordo interno de distribuição que permita um aproveitamento "eficiente, equilibrado e previsível" dos contingentes negociados com a Europa.
Outro dos pontos destacados pela FARM é a necessidade de incorporar a visão do setor privado na construção do sistema. A entidade ressaltou que são os próprios operadores quem finalmente utilizarão as cotas e, portanto, quem conhecem de primeira mão as condições e necessidades de cada mercado e setor produtivo.
Para a Federação, uma distribuição consensuada permitiria converter o acesso preferencial logrado no acordo em maiores oportunidades comerciais e uma melhor geração de ingressos para os produtores rurais dos países do Mercosul. A entidade, presidida por Jorge A. Rodríguez, manifestou além sua disposição a realizar contribuições para a construção do futuro sistema de distribuição.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do AgroRural Paraguay.
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