Factoragem para honrar dívidas do Governo: Cifarma diz que "algo é melhor que nada"
Setor farmacêutico se mostra mais aberto à proposta de cessão de pagamentos, diferentemente das construtoras
Tanto o presidente da Câmara da Indústria Química Farmacêutica (Cifarma) Hernán Streber como seu diretor executivo, Luis Ávila Cacavelos, expressaram nesta quinta-feira uma posição mais favorável com respeito à ferramenta proposta pelo Governo para saldar as dívidas do Estado, sobretudo com as farmacêuticas e as construtoras.
O setor da construção manifestou seu firme rechaço à proposta de factoragem ou cessão de dívidas, questionando a viabilidade do sistema apresentado pelo Ministério da Economia e Finanças (MEF), argumentando que o mecanismo transfere o custo financeiro do atraso estatal diretamente ao setor privado.
Por sua parte, Cifarma vê com mais abertura dita proposta, baseados na premissa de que "algo é melhor que nada", segundo expresou Ávila Cacavelos. "Nós acreditamos que este é o mecanismo e estamos trabalhando para ajustar os números e os percentuais que acreditamos, e nisso estamos avançando", complementou Streber em uma conversa com a Rádio Monumental 1080 AM.
Atualmente, o Governo deve às farmacêuticas um total de USD 890 milhões; porém, o método de cessão de pagamentos exclui amparos judiciais e outros serviços e itens. Assim, poderá se utilizar para o rubrica 350, referente a medicamentos e insumos, onde a dívida é de entre USD 650 a 700 milhões na data atual.
Streber explicou que ainda não se chegou a um acordo de plano de pagamentos, mas que estão nesse processo. Ávila Cacavelos agregou que o Governo já abonaria USD 100 milhões em abril, 80 milhões em maio e vai pagar em junho aproximadamente 70 milhões da mesma moeda, reduzindo a dívida.
Disse que a factoragem é favorável para eles, "primeiro financeiramente, porque a taxa que me oferecem é mais barata da taxa que estamos pagando hoje aos bancos. Isso é de entrada. Mas talvez mais importante, nós pensamos de forma que é melhor ir obtendo pagamentos parciais e ir cobrando algo do que não cobrar nada", asseverou.
As construtoras mencionam uma dívida próxima aos USD 300 milhões, mas supostamente a metade dessa dívida corresponde a juros, que não se inclui na regulamentação de factoragem e é "outra discussão".
"Eu prefiro cobrar algo do que não cobrar nada, ainda que nós tenhamos dito desde o começo que não era justo que o fornecedor absorva", explicou o diretor executivo de Cifarma, referindo-se aos juros, que não se incluem neste sistema.
"Temos que fazer uma lei nova que autorize o Estado a assumir os juros das cessões. Esse projeto de lei está no Senado, ainda não foi nem tratado na Câmara de Senadores. Vai demorar pelo menos 90 dias até que isso saia se é que há votos para sair. Eu não posso seguir esperando 90 dias. Eu tenho que pegar o que tiver agora porque além da taxa aplicada por ser dívida soberana é menor do que o que me estão cobrando os bancos hoje por manter minha linha de crédito", explicou.
"Para mim, financeiramente me convém a cessão… sim, me convém a cessão. É uma solução e vou cobrar toda minha dívida? Não, não vou cobrar. Vou cobrar o 20 ou o 25% da dívida no melhor dos casos. Mas algo é melhor que nada", insistiu.
Ante a consulta sobre o que deveria se fechar para chegar a um acordo, Ávila Cacavelos explicou que Cifarma colocou à consideração de seus associados a decisão de recorrer ou não a dito sistema.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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