Ex autoridades da ANDE expressam preocupação com falta de medidas imediatas no setor elétrico
Engenheiros alertam que criação de novo ministério e ente regulador não resolvem crises operacionais urgentes
Preocupações sobre estabilidade do sistema elétrico
Ex autoridades da Administração Nacional de Eletricidade (ANDE) expressaram sua inquietação com a falta de medidas concretas para resolver problemas urgentes que afetam a estabilidade do Sistema Interconectado Nacional (SIN). Por meio de uma comunicação formal dirigida ao chefe do Gabinete Civil da Presidência da República, Javier Giménez, os engenheiros Pedro Ferreira e Fabián Cáceres advertiram que os planos governamentais de criar um Ministério de Energia e um Ente Regulador não resolvem as dificuldades operacionais imediatas e desviam a atenção de uma crise elétrica cada vez mais próxima.
O documento foi apresentado após a primeira sessão recente da Mesa Elétrica, reunião na qual os especialistas esperavam debater planos de ação imediatos para o setor. No entanto, em lugar de propostas técnicas e cronogramas definidos, as autoridades nacionais apresentaram projetos para a criação de duas novas estruturas institucionais. Segundo o critério dos referentes técnicos, impulsionar reformas institucionais dessa envergadura em um cenário crítico constitui um erro estratégico que adia decisões urgentes.
Déficit energético projetado e demanda crescente
Entre as ameaças mais significativas mencionadas no documento destaca-se o risco de um déficit energético projetado entre os anos 2030 e 2032. A demanda elétrica no país registra um crescimento superior a dezoito por cento ao ano, ritmo que supera amplamente a capacidade de expansão da infraestrutura atual. Para evitar interrupções de fornecimento a grandes consumidores nos horários de maior demanda, o Estado paraguaio necessita incorporar de forma urgente novas fontes de geração, processo que até o momento nenhuma das obras previstas no Plano Mestre a partir de 2025 iniciou.
Indústrias eletrointensivas e contratos de fornecimento
Outro aspecto de alta incerteza relaciona-se aos contratos de fornecimento outorgados ao setor de consumo intensivo especial, dedicado a atividades como a mineração de criptomoedas. Essas indústrias representam aproximadamente 1.300 megawatts e seus contratos vencem no final do ano 2027. A renovação ou continuidade desses compromissos sem um planejamento adequado poderia acelerar a chegada do déficit de energia e comprometer a segurança do sistema nacional.
Desafios de investimento em infraestrutura
A sustentabilidade financeira da ANDE apresenta um desafio considerável. O déficit de investimento em infraestrutura supera os USD 600 milhões anuais, o que gera atrasos significativos em obras-chave. Um exemplo relevante é a construção da linha de 500 kV entre Yguazú e Valenzuela, obra inicialmente projetada para o ano 2025 cuja entrada em operação foi adiada até o final de 2027 nos melhores cenários, afetando a estabilidade do fornecimento na área central e metropolitana.
Vencimentos de acordos e tarifas internacionais
A isso se soma a indefinição da tarifa de Itaipu a partir do ano 2027, o vencimento do Acordo Operativo de 2007 após vinte e quatro anos de vigência e a necessidade de definir os níveis de contratação com a binacional para outubro de 2026. Os especialistas destacam que a eliminação dos fundos sociais de Itaipu a partir de 2027 gera um vazio importante, já que uma porção foi destinada à infraestrutura elétrica. Além disso, o fim dos acordos operacionais vigentes obrigará a modificar o esquema de compra de potência de Yacyretá, o que poderia incrementar os custos operacionais da ANDE por sobrecontratação.
Perspectiva sobre regulação do setor
O engenheiro Ángel Recalde, ex-diretor de Yacyretá, concordou com os questionamentos realizados por seus pares. No entanto, com respeito ao Ente Regulador, considerou que esta instituição agregará confiança...
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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