EUA diz que Irã aceita diluir urânio no marco do acordo
Memorando reabriria Estrecho de Ormuz e permitiria venda de petróleo iraniano
Irã aceitou diluir suas reservas de urânio enriquecido no marco de seu acordo provisional com os Estados Unidos, afirmaram ontem altos funcionários do Governo estadunidense, ao divulgar o que apresentaram como o texto do acordo.
O memorando também reabriria o Estrecho de Ormuz e permitiria a venda de petróleo iraniano, enquanto Estados Unidos e seus aliados também facilitariam um fundo de reconstrução de USD 300 bilhões para Irã.
Altos funcionários estadunidenses leram o documento em uma conferência telefônica com jornalistas após dias de incerteza sobre o que realmente incluía o acordo que o presidente Donald Trump anunciou no domingo.
Este entendimento preliminar será seguido de 60 dias de negociações sobre um pacto definitivo, após o qual Trump disse que Washington poderia simplesmente voltar a "bombardear" se Irã não aceitar.
O programa nuclear de Irã se indica no memorando, segundo os funcionários estadunidenses, com cláusulas adicionais em comparação com os rascunhos do acordo que foram vazados em meios estadunidenses e estrangeiros.
Segundo o texto, os dois países acordaram discutir um mecanismo para tratar as reservas de urânio enriquecido de Irã, no centro das acusações estadunidenses de que Teerã quer desenvolver armas nucleares. "O fato de que estão cedendo nisso é uma vitória enorme, enorme para Estados Unidos", disse um dos altos funcionários.
Segundo o escrito, a "metodologia mínima" consistiria em "realizar a diluição no próprio local, sob supervisão da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica)". A diluição consiste em misturar urânio enriquecido – que poderia ser usado para fabricar armas nucleares – com urânio empobrecido, com o fim de reduzir seu nível de radioatividade. "O que se propõe é eliminar a reserva de material enriquecido, e assim é, como mínimo, como vamos fazer isso", explicou um alto funcionário estadunidense, que esclareceu que esta era sua própria interpretação do acordo.
O eventual fundo de reconstrução para Irã após a guerra lançada por Israel e Estados Unidos em 28 de fevereiro foi a "segunda parte mais controversa" do acordo depois da questão nuclear, reconheceram os funcionários estadunidenses.
O texto diz que em Washington "se compromete, junto com parceiros regionais, a elaborar um plano definitivo e mutuamente acordado com pelo menos 300 bilhões de dólares para a reconstrução e o desenvolvimento econômico da República Islâmica do Irã".
O acordo não exige a Washington pagar "um centavo aos iranianos, nem contribuir jamais com dinheiro a este fundo de reconstrução", destacou um dos altos funcionários.
"O que diz é que, se chegamos a um acordo definitivo e se os iranianos se comportam, permitiremos o levantamento de sanções que permitiria, por exemplo, que os emirados construam uma usina elétrica no Irã", apontou.
CATÁSTROFE ECONÔMICA
O presidente dos EUA, Donald Trump, considerou ontem que o pacto fechado com Irã evita a "catástrofe econômica" que teria ocorrido em caso de continuar o conflito e cumpre os objetivos marcados "e muito mais".
"Não queria ver uma catástrofe econômica. Se isso tivesse continuado, isto é o que teria acontecido. (...) Alcançamos um acordo que realiza tudo o que nos propusemos, tudo e muito mais: pôr fim ao conflito atual, reabrir o Estrecho de Ormuz e evitar que Irã obtenha nunca uma arma nuclear", disse em sua conferência de imprensa final da Cúpula do G7.
"Se não tivéssemos este acordo, poderíamos ter lançado bombas durante outras duas semanas, três, quatro, dois anos. O Estrecho de Ormuz nunca se abriria", acrescentou o líder republicano.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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