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Polícia

Estado paraguaio segue em dívida com as famílias dos sequestrados

Seis anos após o sequestro de Óscar Denis, o Governo não apresenta resultados na busca pelos três reféns mantidos por grupos armados no Norte do país

08/09/2026 10:45 4 min lectura 397 visualizações

Amanhã, 9 de setembro, completam-se seis anos do sequestro de Óscar Denis, ex-vice-presidente da República, e sua família continua demandando respostas.

Neste novo aniversário, sua filha, Lorena Denis, reclamou que não há resposta nem rastro de seu pai na busca realizada pelo Governo, e que apesar de destinar importantes recursos do dinheiro público à Força de Tarefa Conjunta, não conseguiu eliminar o grupo criminoso que mantém em aflição três famílias. "Não há informação que nos permita avançar e ainda assim continuamos buscando a verdade".

A filha de Denis instou as autoridades a não abandonarem a busca pelas três pessoas que permanecem sequestradas e reclamou respostas para as famílias que há anos vivem com incerteza.

A família Denis reiterou que os sequestrados não fiquem no esquecimento e demandou resultados ao Governo porque tem a responsabilidade e também possui as ferramentas.

As famílias dos três sequestrados pelo grupo armado EPP suportam uma situação desgraçada de incerteza, pois não possuem informação sobre seus entes queridos. Essas famílias são vítimas do grupo criminoso, que não quis fornecer informações sobre os sequestrados, mas também são vítimas da negligência de um Estado que pouco faz para lograr a libertação de seus familiares, e que não conseguiu deter a situação de violência e insegurança no Norte do país.

Lembremos que no último informe presidencial perante o Congresso, o presidente Santiago Peña omitiu no relatório oficial toda menção aos três sequestrados no Norte do país.

Para especialistas como o criminólogo Juan Martens, esse descuido é, sem dúvida, preocupante: "Isso seria ainda mais grave se não houver uma correlação entre essa omissão e um plano de busca. Espera-se que o Governo tenha um plano de busca de desaparecidos, informe desse plano, informe dos avanços e o informe anual; nesse sentido é uma questão, uma oportunidade muito importante para ter em conta que a busca continua viva".

Fica claro, não obstante, que para o Governo os sequestrados Óscar Denis, Félix Urbieta, Edelio Morínigo não são tão relevantes, assim como também não é importante sua busca. Óscar Denis encontra-se sequestrado desde 9 de setembro de 2020; em 12 de outubro de 2016 foi sequestrado o pecuarista Félix Urbieta e em 5 de julho de 2014 foi levado o suboficial Edelio Morínigo, a dele é a mais longa duração de sequestro no Paraguai.

Não cabe dúvida de que a estratégia aplicada pelas forças de segurança do Governo para deter a influência dos grupos armados no Norte: Exército do Povo Paraguaio (EPP), Exército do Marechal López (EML) e a Agrupação Camponesa Armada Exército do Povo (ACA-EP) foi um fracasso.

Os resultados medíocres são inaceitáveis, considerando que à Força de Tarefa Conjunta foi concedido na última década, em média, a cada ano um orçamento de USD 14 milhões de dólares. Com esses recursos, os resultados foram nulos, já que não conseguiram sequer trazer alguma tranquilidade às comunidades do Norte.

De fato, uma investigação acadêmica havia alertado sobre certos padrões de violência e abusos por parte da Força de Tarefa Conjunta e da Promotoria, em comunidades de San Pedro e Concepción, no marco da luta contra os grupos armados que iam desde execuções extrajudiciais até tortura, passando por buscas ilegais e detenções arbitrárias. Topáke violencia nórtepe é o título do trabalho realizado pelo Instituto de Estudos Comparados em Ciências Penais e Sociais, com apoio da organização Serpaj.

Entre a dor e a incerteza deve-se destacar e valorizar a fortaleza demonstrada pelas famílias dos sequestrados, Obdulia Florenciano, mãe do suboficial Edelio Morínigo, e as filhas de Félix Urbieta e de Óscar Denis.

É inadmissível que em democracia permaneçam sequestrados cidadãos e que o Estado não cumpra com seu dever de proteger e buscar a libertação de seus compatriotas.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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