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Paraguai

Especialistas alertam sobre o fim da energia abundante e barata no Paraguai

Fórum reúne profissionais do setor energético para debater novo paradigma

28/08/2026 14:45 4 min lectura 17 visualizações

Mudança de paradigma necessária

O tempo em que o Paraguai podia contar com uma energia elétrica abundante e de baixo custo chegou ao fim. Este foi o principal alerta lançado por especialistas do setor energético durante o fórum "Energia elétrica para assegurar a continuidade do desenvolvimento no Paraguai", organizado conjuntamente pelo Instituto de Desenvolvimento do Pensamento Patria Soñada, pelo Centro Paraguaio de Engenheiros e pelo Instituto de Profissionais Paraguaios do Setor Elétrico.

Amílcar Troche, presidente do Centro Paraguaio de Engenheiros, que encerrou o evento, afirmou que acabou a lógica de considerar a energia como um recurso permanente, abundante, limpo e barato. O profissional enfatizou que o país deve avançar para um novo paradigma cujo objetivo central seja garantir um suprimento de forma confiável, suficiente e a um preço razoável. Esta transformação responde ao fato de que a histórica vantagem proporcionada pelas centrais de Itaipú, Yacyretá e Acaray está se esgotando diante de uma demanda que cresce de forma acelerada com o surgimento de novos e grandes consumidores.

Dados que evidenciam a urgência

Os dados estatísticos apresentados na jornada respaldam esta urgência. No ano de 2025, a energia requerida pelo sistema atingiu aproximadamente 29.500 gigawatts hora, enquanto a demanda máxima chegou a 5.280 megawatts. Isto representa um crescimento acumulado próximo a 49,8% nos últimos três anos.

As projeções situam a energia requerida em torno de 57.500 gigawatts hora no ano de 2043. Conforme as conclusões do fórum, as atuais fontes de geração poderão cobrir a demanda de potência e o consumo de energia do sistema somente até o período compreendido entre os anos 2028 e 2030, considerando hipóteses de crescimento de 8 e 10% ao ano.

Zona de alerta crítica

Neste período, qualificado como crítico, o sistema entrará em uma zona de alerta laranja e posteriormente vermelha. Por isso, resulta absolutamente indispensável incorporar novas fontes de geração para superar o risco de uma crise energética por déficit de potência e de energia nos anos seguintes. Os especialistas ressaltaram que estas novas fontes terão um custo superior, o que marca o fim da energia barata no país.

Diversificação da matriz energética

Guillermo Krauch, membro da Junta Diretiva do Instituto Patria Soñada, estimou que o Paraguai deverá se preparar para dispor de novas centrais em um horizonte aproximado de 4 a 5 anos. Os especialistas concordam sobre a clara necessidade de diversificar a matriz de geração elétrica paraguaia.

Embora a hidroeletricidade continue sendo a coluna vertebral do sistema, Amílcar Troche sinalizou que a energia hidroelétrica deverá ser complementada progressivamente mediante energia solar, biomassa, pequenas centrais hidroelétricas, interconexões com Brasil e Argentina, gás natural e outras fontes viáveis.

Thomas Field, presidente do Instituto Patria Soñada, expressou que o Paraguai "não tem um problema de energia, mas uma decisão pendente", e afirmou que, em sua opinião, a opção nuclear é um caminho que o país deve considerar com seriedade desde o presente.

Transformação institucional indispensável

Os especialistas concluíram que o desafio que o Paraguai enfrenta não se limita unicamente a construir novas infraestruturas. À dimensão técnica se soma uma transformação institucional que é incontornável. Nos diferentes espaços de debate ressaltou-se a importância da recente Mesa Nacional do Setor Elétrico, onde se colocou em discussão a necessidade de criar um Ministério de Energia, Mineração e Hidrocarbonetos e uma entidade reguladora independente. Estas iniciativas abrem a oportunidade de construir uma institucionalidade moderna com uma separação clara de responsabilidades entre geração, transmissão e distribuição de energia.

Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.

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