Enquanto o país sofre carências, no Congresso defendem seus privilégios
Tudo indica que em breve poderia haver uma definição quanto à lei que cria o Fundo de Jubilações e Pensões dos parlamentares. A intenção é modificar alguns aspectos relacionados à quantidade de anos de contribuição e, ao mesmo tempo, pretende-se elevar a idade para que os legisladores possam se acoger aos benefícios da aposentadoria.
A discussão e o debate seriam realizados hoje, já que é iminente uma sanção ficta, razão pela qual na data a Câmara de Deputados está praticamente obrigada a tratar do polêmico tema.
Não obstante, nenhuma mudança que os deputados possam chegar a introduzir seria muito significativa, pois não se nota a intenção por parte dos legisladores de cortar a condição de privilégio com a qual se aposentam os membros do Congresso Nacional.
Antes de que o documento chegasse aos Deputados, na Câmara de Senadores havia sido adiado seu estudo uma dezena de vezes. Mas após discussões e confusões, os senadores aprovaram a versão dos Deputados para acessar a aposentadoria ordinária aos 60 anos e com 180 meses de contribuição, enquanto que para a extraordinária elevaram a idade a 60 anos em relação à versão dos Deputados que estabelecia 55 anos, mas mantiveram os 120 meses de contribuição.
Deve-se mencionar que, atualmente, os legisladores podem se aposentar de forma ordinária aos 55 anos de idade e 15 anos de contribuição, e de maneira extraordinária com 60 anos de idade e 10 anos de contribuição.
O parlamentar que se acolha à aposentadoria ordinária poderá receber 80% da média de suas diárias e gastos de representação, enquanto que a extraordinária estabelece que o montante será de 60% da diária e do gasto de representação.
Outro detalhe é que inclui a possibilidade de saque das contribuições daqueles que não se acolham à aposentadoria, este saque será de até 95% do total contribuído para a Caixa, um privilégio ao qual não pode acessar o trabalhador que contribui ao IPS.
A aposentadoria de privilégio para deputados e senadores representa não somente a terrível desigualdade que impera em nosso país. Supõe ao mesmo tempo uma injustiça, pois como é sabido, enquanto os que deveriam representar o povo ante o Parlamento acessarão pensões de privilégio, uma grande massa de trabalhadores nem sequer podem sonhar em chegar à aposentadoria devido à elevada taxa de informalidade que há no Paraguai.
As autoridades eleitas e os funcionários não precisam mostrar simpatia com a população, pois isso é opcional, enquanto que ao terem sido eleitos pelo povo têm a obrigação de trabalhar e fazer com que as pessoas possam ter uma vida digna com bem-estar. E isto não é opcional, as autoridades dos três poderes do Estado têm essa obrigação.
É inaceitável a partir deste postulado que os paraguaios e paraguaias continuem suportando a ausência, por exemplo, de um eficiente e moderno serviço de transporte público em todo o país ou que a população se veja obrigada a custear a saúde pública com polladas e rifas, visto que pela corruptela e pela péssima gestão de autoridades e funcionários, não há medicamentos nem insumos nos hospitais públicos, sem mencionar a violência urbana que assola praticamente todas as cidades do país e golpeia particularmente os trabalhadores.
Enquanto a população majoritária do país continua padecendo essas carências, é inaceitável que deputados e senadores permaneçam em suas torres de marfim desfrutando de privilégios imerecidos.
Como bem afirmava o bispo do Chaco em uma homilia durante a festa da Virgem de Caacupé:
"Há certos sinais que nos falam que algo não está funcionando bem. Quando eu vejo que há uma classe política que leva uma vida principesca, enquanto o povo realiza suas polladas, tallarinadas ou pancheadas para ver como ajudar seus enfermos ou familiares que não contam com um seguro médico". E conclui: "Toda pessoa que qui...
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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