Empresários rejeitam aumento de 5% do salário mínimo: "Coloca em risco o investimento privado"
Centro de Importadores e federações empresariais criticam decisão do presidente Santiago Peña por falta de critérios técnicos
Desde o Centro de Importadores do Paraguai expressaram sua insatisfação com o anúncio realizado pelo presidente da República, Santiago Peña, sobre o aumento de 5% do salário mínimo, que, em sua opinião, foi determinado sem critérios técnicos e afeta a imagem do país perante os investidores.
"A verdade é que isso é uma demonstração de que a insegurança jurídica não é uma das principais, mas a mais importante fraqueza de nosso sistema e aquela que realmente coloca em risco o investimento privado", refletiu.
O empresário qualificou de arbitrário o anúncio realizado pelo presidente Santiago Peña e apontou que não gera confiança o índice que apresentou.
"O fundo da questão é que o índice do Banco Central do Paraguai (BCP) não é confiável, 2,4% não é a inflação real que o trabalhador sofre. Isto é o que deveria ser combatido", acrescentou.
Iván Dumot, presidente do Centro de Importadores do Paraguai, questionou duramente que o reajuste de 5% tenha sido oficializado ante a ANR e sem critérios técnicos.
Dumot assegurou que os números anunciados pelo mandatário não satisfazem "nem aos empresários nem aos trabalhadores" e insistiu em que o que faz é desmoronar o sistema jurídico.
Os dirigentes da Federação da Produção, da Indústria e do Comércio (Feprinco), da Federação Paraguaia de Mipymes e da Câmara Nacional de Comércio e Serviços também coincidiram ao apontar que a decisão se afasta do mecanismo legal vigente, gera incerteza e afeta especialmente as micro, pequenas e médias empresas.
Enrique Duarte, presidente da Federação da Produção, da Indústria e do Comércio (Feprinco), manifestou à Última Hora que a medida "dói" porque afeta os esforços para melhorar a credibilidade e competitividade do país em um ambiente regional dominado por economias de maior escala, como Brasil e Argentina.
O dirigente apontou que a decisão não respeita o marco jurídico estabelecido e prejudica principalmente o setor mais vulnerável: o emprego nas mipymes, que sobrevivem com maior sacrifício em um mercado altamente competitivo.
Na quarta-feira, o presidente Peña anunciou que tomou a decisão de aumentar o salário mínimo "acima do cálculo de inflação" durante seu relatório de gestão ante a Associação Nacional Republicana (ANR). O montante ficou em G. 144.952.
Dumot criticou que o mandatário tenha priorizado o impacto político sobre o econômico. "Isto foi exposto em um ato político e não em uma conversa com os setores afetados, sem nenhuma justificativa técnica. Demonstra que o objetivo é meramente político, eleitoral; pouco tem de análise técnica", advertiu.
O chefe de Estado recebeu na última quarta-feira a ministra do Trabalho, Mónica Recalde, que lhe entregou o relatório técnico e as recomendações emitidas pelo Conselho Nacional de Salários Mínimos (Conasam), que não considerava um montante recomendado devido a que as partes não chegaram a um acordo.
Explicou ante o olhar do titular do Partido Colorado, Horacio Cartes, e outros dirigentes que após uma profunda análise decidiu esse aumento acima do cálculo da inflação.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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