Elena Iwatani, embaixadora do ñandutí paraguaio no Japão
Professora nikkei residente em Tóquio ensina e difunde a tradicional técnica de tecelagem paraguaia
Elena Iwatani, nascida em La Colmena, é uma destacada nikkei que reside em Tóquio, onde ensina e difunde o ñandutí, o tradicional tecido paraguaio. Sua labor permitiu que mais de mil pessoas conheçam e aprendam esta técnica ancestral no Japão.
Um livro que preserva a tradição
Iwatani é autora de "Encaje de colores del arcoísis. El ñandutí del Paraguay: patrones tradicionales y cómo hacerlos", um importante volume que documenta e ensina como tecer os motivos deste arte tradicional. A primeira edição em japonês foi publicada em 2010, enquanto que a impressão de exemplares em castelhano foi possível graças ao apoio do Grupo Toyotoshi e de suas alunas japonesas.
"Quero que o ñandutí siga vivo", expressou ao anunciar a doação de mil exemplares do livro. Desde o Instituto Paraguaio de Artesanato (IPA) serão distribuídos estes volumes a escolas de arte em todo o país, fortalecendo a preservação desta técnica.
Expansão do ensino
Atualmente, Iwatani ensina as técnicas da tecelagem a mais de 300 alunas em Tóquio. Sua labor começou com pessoas próximas e se expandiu progressivamente, chegando a diplomatas latino-americanas e artistas especializados em tecelagem. Entre suas alunas destacadas está a arpista Arisa Matsuki, quem utiliza os vestidos de ñandutí em apresentações no Japão, contribuindo significativamente à difusão deste arte.
Estima que ao menos mil pessoas tenham passado por suas aulas buscando aprender a tecelagem, conhecida em guarani como "tecido das aranhas".
Reconhecimento no cenário internacional
Seu trabalho alcançou visibilidade internacional durante a Expo Osaka 2025, onde apresentou um estande com demonstrações práticas. Mais de 2 mil pessoas participaram em pequenos cursos de fim de semana para aprender a técnica de maneira introdutória, em uma feira que recebe mais de 200 mil visitantes por dia.
Formação e trajetória
Iwatani aprendeu a tecer ñandutí em Assunção com a professora Kimie Taguchi durante quatro anos, entre 2006 e 2010. Posteriormente, desde 2012, aperfeiçoou seus conhecimentos trabalhando com as artesãs de Itauguá, localidade tradicionalmente vinculada a este arte.
Começou a ensinar a tecelagem em Tóquio ao observar o interesse de artistas japonesas por confeccionar vestidos de ñandutí. Ante a falta de material didático disponível, uma editora local lhe propôs criar um livro instrutivo, iniciativa que Iwatani considerou uma oportunidade para resgatar mais de 300 dechados, alguns muito antigos.
Segundo livro sobre acessórios
Iwatani também editou no Japão um segundo livro intitulado "El ñandutí del Paraguay. Cómo hacer accesorios fáciles", que ainda não foi traduzido ao castelhano. Esta publicação responde à preferência de suas alunas por criar acessórios destinados a presentes e venda, uma variante que resultou muito exitosa entre os estudantes.
Conexão entre dois países
A labor de Elena Iwatani tece uma ponte cultural entre Paraguai e Japão, duas nações com vínculos históricos significativos. Seu compromisso com a preservação e ensino do ñandutí fortalece a presença das tradições paraguaias no exterior, enquanto mantém viva uma prática artesanal que forma parte do patrimônio cultural do país.
A cada dois anos organiza visitas de suas alunas japonesas para conhecer as artesãs de Itauguá, consolidando o intercâmbio cultural e a conexão com as raízes desta tradição têxtil.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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