Economista destaca importância de capitalizar conquistas nos próximos dois anos de governo
O governo de Santiago Peña completou mais da metade de seu período, acumulando conquistas destacadas. Porém, restam dois anos nos quais é fundamental capitalizar o alcançado até o momento, especialmente considerando a oportunidade de implementar reformas estruturais.
"Os três primeiros anos foram de estabilização; os próximos dois têm que ser de tradução: converter credibilidade e financiamento barato em serviços e produtividade", expressou Daniel Correa, economista e diretor da DCR Consultora.
O profissional identificou quatro frentes principais que requerem atenção prioritária no período que resta de mandato.
Prioridade fiscal
O primeiro frente refere-se à questão fiscal, particularmente a reforma da Caixa Fiscal. Correa apontou que além das mudanças do exercício presente, são necessárias modificações complementares. Entre as medidas propostas encontra-se a atenção da dívida com fornecedores mediante a fixação de um cronograma de pagamentos, assim como "depurar o gasto tributário e ampliar a base do IRP, não aumentar alíquotas".
Desenvolvimento social
O segundo frente aborda o desenvolvimento social, enfatizando a necessidade de "passar de conter a emancipar". Correa indicou que atualmente existem 146.000 pessoas com menos de G. 13.000 diários para se alimentar. Apontou a falta de um pilar previdenciário não contributivo e semicontributivo para trabalhadores informais, sendo que apenas 2 de cada 10 trabalhadores contribuem para uma aposentadoria.
Ressaltou a necessidade de uma "reforma de formalização que combine simplificação com incentivos à contratação do primeiro emprego jovem". Embora o programa Fome Zero tenha abordado a alimentação em instituições educativas, considerou que "falta formação técnica dual vinculada à demanda industrial".
Desenvolvimento de infraestrutura
O terceiro frente compreende o desenvolvimento de infraestrutura, âmbito no qual Correa enfatizou que "as parcerias público-privadas deixam de ser uma opção e são a única via de escala". As prioridades identificadas incluem o corredor Bioceânico e ponte do Chaco, hidrovia e dragagem, transmissão elétrica e transporte público metropolitano.
O economista sublinhou que "o gargalo hoje não é gerar energia mas transportá-la", indicando que a capacidade de distribuição é o desafio principal no setor energético.
Serviços básicos
Finalmente, a respeito dos serviços básicos, Correa afirmou que constituem "a lacuna mais incômoda". Enfatizou que "a reforma faltante é institucional antes que orçamentária: ordenar a reitoria hoje fragmentada entre Essap, Senasa, juntas de saneamento e regulador".
Propôs implementar "tarifas sustentáveis com subsídio focado, e um plano nacional de saneamento com financiamento multilateral prolongado, que é exatamente o que o grau de investimento barateia".
Adicionalmente, abordou dois setores de relevância como saúde e habitação. Quanto ao primeiro, recomendou "fechar os atrasos com farmacêuticas". Respecto à habitação, sugeriu "escalar e avaliar Che Róga Porã por déficit habitacional, não por unidades entregues".
Conquistas alcançadas
Correa destacou os resultados obtidos até o momento. "Paraguai fez o mais difícil, que é sustentar regras quando não dão retorno imediato, e o resultado se vê: inflação de 3%, dívida de 40% do PIB, dois graus de investimento e 213.000 pessoas que saíram da pobreza em um ano", relembrou.
Estes indicadores demonstram os avanços alcançados mediante a implementação de políticas macroeconômicas consistentes, estabelecendo a base para futuras reformas estruturais.
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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