Economista defende teto fiscal mais elevado para reativar investimento público
O economista Sergio Sapena, diretor da consultora SPP Economia, acredita que a margem do déficit fiscal deveria ser ampliada para 6% porque, em sua avaliação, o teto atual freia o investimento em infraestrutura, um fator que buscam os investidores estrangeiros. O profissional participou via Zoom de um breve contato com o programa "Fuego cruzado" do canal GEN/Nación Media, que debateu o tema com Manuel Alarcón, ex-ministro da Economia, e Mirtha Coronel, economista sênior de Mentu, nos estúdios.
"Há que destacar que a promoção do país que fez o Governo foi muito frutífera. Deu-se a conhecer ao exterior e isso gerou interesse de potenciais investidores que estão vindo ao Paraguai. O grau de investimento também permite que haja empresas já no Paraguai, grau de investimento, como Atome, Paracel, Uranium Energy. Você tem companhias que já vão poder acessar esses benefícios da promoção, mas falta descongestionar o país para que possa ser frutífero esse investimento, porque o déficit fiscal impede ao governo, esse teto, impede investir em infraestrutura e o que buscam os investidores é infraestrutura", pontuou Sapena em um rápido balanço econômico de três anos do governo de Santiago Peña.
Continuou expondo: "Então, aí é onde o cálculo que fizeram do déficit fiscal foi errado. Deve ser 4% para sincerar e eu acho que tem que subir para 6% para reduzir o atraso que tem o país em infraestrutura. Também o tipo de câmbio. Eu já havia dito que 5.800 é a projeção, porque isso é o que o governo americano está impulsionando e o governo projetou 7.800. Isso também causou um dano às empresas no Paraguai".
Quanto às suas projeções, o economista compartilhou: "E o que antecipo é que essa política econômica, eu chamo de cristal, porque também no Chile aconteceu, que tinham uma linda fórmula, aparentemente indicadores macroeconômicos estáveis, mas reduziram o gasto público e o déficit fiscal e por isso caiu o sistema. E aí veio o socialismo no Chile de volta. É o que pode acontecer no Paraguai. Tem que antecipar a esses economistas que administram o Governo que, se continuarem apertando com a redução do déficit fiscal e não investirem na infraestrutura da gente em educação, saúde e transporte, pode vir o socialismo".
Diante da pergunta do condutor do programa jornalístico, Benjamín Livieres, sobre as alternativas diante do panorama atual, respondeu: "A promoção do país foi feita muito bem, mas está congestionado o país pela baixa inversão pública. Então, agora estão sem uma bússola. Por isso fizeram uma cúpula de economistas. Não têm nenhum plano. Querem reduzir gastos, o que não se pode fazer, é inviável. Também querem aumentar receitas, o que também não é viável. Você não consegue tirar mais dinheiro da gente, das empresas, se primeiro o governo não investe. Então, para mim estão em um beco sem saída. Para mim a saída é ampliar o déficit fiscal para 6%".
Por fim, Sapena manifestou a "Fuego cruzado": "A dívida se contrai depois, é o respaldo à emissão. O que o Banco Central tem que fazer é ampliar o déficit, emitir mais dinheiro, baixar a taxa de juros para que aumente a circulação e se expanda a economia. Depois vem o respaldo na arrecadação. Vai aumentar a arrecadação e, se necessário, se emitem títulos para respaldar essa emissão. Mas, primeiro tem que aumentar a emissão. O circulante, maior investimento público dirigido ao investimento público. Isso vai expandir a economia. Aí vai ampliar a arrecadação e também se pode respaldar com mais títulos".
Esta notícia foi traduzida pela Equipe Editorial do ParaguaiNews a partir da notícia original publicada por nossos colegas do Diario Paraguayo.
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